Custo de produtor chinês pode sustentar preços da celulose, diz Suzano

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 13:38 BRST
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Suzano Papel e Celulose avalia que os custos altos de produtores chineses de celulose darão sustentação maior aos preços da commodity nos próximos meses, após a companhia ter sido afetada no final do ano passado e em janeiro por pressão vinda de clientes no país asiático.

O presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, disse que um patamar mínimo de preço da commodity já foi atingido neste momento e que um movimento de reestocagem na China deve ocorrer.

"Nossa percepção é de que estamos chegando no piso do preço (da celulose) em função de paradas de outros competidores. Ao preço que se opera hoje, imaginamos que os competidores locais já não têm condição de redução", afirmou o executivo a jornalistas durante teleconferência para comentar os resultados da Suzano no quarto trimestre.

Contudo, a empresa afirmou que só terá maior visibilidade sobre o mercado da China na próxima semana. O mercado chinês ficou parado na semana passada por conta do longo feriado do Ano Novo Chinês.

O diretor comercial da Suzano, Carlos Aníbal de Almeida Jr., afirmou em teleconferência com analistas que a pressão sobre preços da celulose na China e a oportunidade para que a Suzano recuperasse seus estoques levou ao menor volume de vendas no quarto trimestre.

As vendas de celulose da companhia caíram 10,7 por cento no quarto trimestre ante os três últimos meses do ano anterior e recuaram 16,7 por cento sobre o terceiro trimestre. A fatia da receita de vendas de celulose vinda da Ásia caiu a 32 por cento no quarto trimestre, contra 47 por cento nos três meses imediatamente anteriores.

A Suzano acabou entregando lucro no quarto trimestre de 341 milhões de reais, abaixo dos 520 milhões de reais esperados por analistas, segundo pesquisa da Reuters.

Por conta dos preços pressionados na China e de também ver certa pressão ocorrendo na Europa, a empresa não imagina a possibilidade de anunciar um aumento de preços no momento. "Dependendo das condições, isso pode acontecer em outro momento ao longo do ano", afirmou Schalka.   Continuação...