Convergência da inflação para meta em 2017 não prevê queda da Selic, diz diretor do BC

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 14:42 BRST
 

FORTALEZA (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou nesta sexta-feira que a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5 por cento em 2017 "não contempla reduções da taxa básica de juros", reforçando a mensagem de manutenção da Selic no patamar que está desde julho do ano passado.

Durante apresentação sobre o Boletim Regional, o diretor também afirmou que o aumento das incertezas sobre a economia global tende a influenciar a economia doméstica, "com viés desinflacionário".

Questionado sobre a possibilidade de o BC enxergar alta nos juros, ele se limitou a dizer que o cenário da autoridade "não contempla baixa (da Selic)".

"A manutenção da taxa de juros de 14,25 por cento é suficiente para trazer inflação à meta em 2017", acrescentou Lopes, também destacando que as decisões do BC são tomadas a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Durante sua fala, o diretor deu destaque ao ambiente conturbado no cenário internacional, com muitos riscos associados, incluindo a desaceleração econômica da China e dúvidas sobre o ritmo de normalização da política monetária nos Estados Unidos.

Ele avaliou que a política monetária expansionista de várias economias importantes promoverá aumento de liquidez no mundo, sendo que parte dos recursos pode ser direcionada a economias emergentes, incluindo o Brasil.

A seu ver, o país não deve ver pressões intensas sobre o câmbio neste ano, após uma desvalorização do real ante o dólar de quase 50 por cento em 2015.

As declarações de Lopes fazem parte da ofensiva do BC nesta semana para reforçar que não há espaço para afrouxar a política monetária, após algumas especulações de que a autoridade poderia cortar a Selic em meio à cambaleante atividade econômica.

Na véspera, a mesma mensagem havia sido passada pelo diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, e, mais tarde, pelo presidente do BC, Alexandre Tombini.   Continuação...