ANÁLISE-Mercado livre de eletricidade cresce com preço baixo e ameaça distribuidoras

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 16:29 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado livre de eletricidade, em que consumidores negociam o suprimento diretamente com geradores e comercializadoras, passa por um boom e deve crescer quase 30 por cento neste ano, segundo especialistas, o que já levanta preocupações sobre o efeito de uma fuga de clientes das concessionárias de distribuição.

Com perspectiva de que as tarifas no mercado regulado sigam altas nos próximos anos, as comercializadoras de energia têm encontrado maior facilidade em convencer empresas a aderir ao suprimento no mercado livre, onde os preços caíram fortemente devido às boas chuvas e à redução da demanda puxada pela retração da economia brasileira.

"Esse mercado está realmente mais aquecido, e esse aquecimento não começou agora... Desde o último trimestre (de 2015) temos observado uma migração que ficou mais forte em dezembro, janeiro", afirmou à Reuters o presidente da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Rui Altieri.

A entidade tem 549 pedidos de adesão de consumidores ao mercado livre em andamento, sendo 447 de consumidores de menor porte, que quando entram nesse segmento devem contratar energia apenas de fontes renováveis.

O número representa uma expansão média de 30 por cento, sendo de 36 por cento para esses clientes menores, chamados de consumidores especiais, e de 10 por cento para os consumidores livres de maior porte.

Na comercializadora de energia Comerc, uma das líderes do mercado, a carteira de clientes dobrou para 500 clientes no ano passado, com forte expansão a partir do segundo semestre, e deve ter crescimento semelhante em 2016. A empresa já tem negociações em andamento para mais 400 migrações.

"Neste e no próximo ano, a perspectiva é de PIB para baixo, então não tem perspectiva de que o consumo de energia vá subir. Você criou uma sobra de energia e as tarifas cativas continuam caras... O movimento natural do consumidor é migrar para o mercado livre", disse o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.

Ele estima que as empresas conseguem economizar até 35 por cento nesse mercado, onde os custos são influenciados pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), utilizado no mercado spot de eletricidade.   Continuação...