Atraso em linhas de energia da Abengoa pode ser compensado no curto prazo, diz ONS

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016 17:17 BRST
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O atraso em obras de linhas de transmissão da espanhola Abengoa no Brasil pode ser compensado no curto prazo, disse à Reuters nessa sexta-feira o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

Segundo ele, embora a situação da Abengoa seja "preocupante" para o Brasil, a perspectiva é que haja uma solução do governo para que as obras das linhas de transmissão atrasadas sejam finalizadas até 2018.

Até lá, seria possível ao ONS utilizar "medidas operativas" para evitar problemas no fornecimento.

"A situação da Abengoa gera preocupação não só para o Operador, mas para o Ministério (de Minas e Energia), Aneel, EPE (Empresa de Pesquisa Energética), porque se o sistema é planejado e há atraso, temos que prover medidas operativas", disse Chipp.

As obras da Abengoa, empresa que entrou com pedido de recuperação judicial na Espanha e no Brasil, estão paradas e sua retomada não deverá ser simples, uma vez que a companhia deixou "centenas de milhões de reais" em pagamentos atrasados a fornecedores, disse esta semana uma fonte com conhecimento direto dos projetos.

Chipp destacou que a redução na demanda por energia, em razão da crise econômica do país, minimiza os potenciais problemas com atraso na entrega das linhas, mas há necessidade de retomada das obras.

"Como há redução de demanda, a gente consegue no curto prazo suprir (o sistema) com medidas operativas. No médio e longo prazo a gente precisa das obras porque a demanda vai ser retomada. Não vamos ficar em crise a vida inteira", disse Chipp.

A expectativa dele é que o governo encontre uma solução para o atraso na obras da Abengoa o mais "rápido possível", de forma que as linhas estejam finalizadas até 2018, afirmou o diretor, que evitou comentar quais seriam as opções para solucionar o atraso.   Continuação...