Marqueteiro do PT João Santana tem prisão decretada em nova etapa da Lava Jato

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 09:58 BRT
 

Por Pedro Fonseca

CURITIBA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O marqueteiro João Santana, que trabalhou nas duas campanhas da presidente Dilma Rousseff e na reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve pedido de prisão decretado em nova etapa da operação Lava Jato lançada nesta segunda-feira, que também tem como alvo mais uma vez a empreiteira Odebrecht.

Santana, que além das bem-sucedidas campanhas petistas também trabalhou para candidatos vitoriosos no exterior, como o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, é suspeito de ter recebido pagamentos ocultos no exterior realizados pela Odebrecht e pelo operador financeiro do esquema de corrupção na Petrobras (PETR4.SA: Cotações) Zwi Skornicki, de acordo com o Ministério Público Federal.

Santana ainda não foi detido porque está fora do país, segundo reportagens. Além dele, a publicitária Mônica Regina Cunha Moura também é suspeita de ter recebido pagamentos ilegais no exterior.

De acordo com o MPF, há evidências de que a Odebrecht transferiu 3 milhões de dólares entre abril de 2012 e março de 2013 para conta mantida no exterior por Santana e Mônica, "valor sobre o qual pesam indicativos de que consiste em propina oriunda da Petrobras que foi transferida aos publicitários em benefício do PT".

As investigações também apontaram que Skornicki efetuou transferência no exterior de pelo menos 4,5 milhões de dólares entre setembro de 2013 e novembro de 2014 para conta mantida no exterior pelos publicitários, que à época eram responsáveis pelo marketing da campanha eleitoral do PT.

"A conta dos publicitários, em nome da offshore panamenha Shellbill Finance SA, não foi declarada às autoridades brasileiras", acrescentou o Ministério Público Federal em nota.

Skornicki também é investigado na Lava Jato por suspeita de pagamentos de milhões de dólares em propina em benefício de contratos bilionários feitos pela empresa Keppel Fels, de Cingapura, com a Petrobras e a empresa de sondas de petróleo Sete Brasil, segundo os investigadores.

O executivo da Odebrecht Marcelo Odebrecht, que já está preso no âmbito Lava Jato, é suspeito de envolvimento em outros crimes investigados pela nova etapa da operação, segundo as autoridades, possivelmente tendo controle sobre os pagamentos feitos no exterior por meio de empresas offshore.   Continuação...