Marqueteiro do PT João Santana tem prisão decretada em nova etapa da Lava Jato

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 13:49 BRT
 

Por Thais Skodowski e Pedro Fonseca

CURITIBA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O marqueteiro João Santana, que trabalhou nas duas campanhas da presidente Dilma Rousseff e na reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve pedido de prisão decretado em nova etapa da operação Lava Jato, lançada nesta segunda-feira, sob suspeita de ter recebido pagamentos ilegais milionários no exterior provenientes do esquema de corrupção na Petrobras.

Santana, que além das bem-sucedidas campanhas petistas também trabalhou para candidatos vitoriosos no exterior, como o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, recebeu ao menos 7,5 milhões de dólares fora do país por parte da Odebrecht e do operador financeiro do esquema de corrupção na Petrobras Zwi Skornicki, de acordo com o Ministério Público Federal.

O pagamento seria por serviços prestados para campanhas eleitorais do PT no Brasil, mas feito no exterior devido à origem ilícita dos recursos, de acordo com os investigadores.

Santana, que está na República Dominicana, ainda não foi detido. Além dele, sua mulher, a também publicitária Mônica Moura, também teve pedido de prisão decretado.

Em nota, a assessoria de imprensa de Santana informou que o advogado do publicitário informará mais tarde nesta segunda-feira sobre o retorno de Santana e da mulher ao Brasil com objetivo de se apresentar às autoridades brasileiras.

De acordo com o MPF, há evidências de que a Odebrecht transferiu 3 milhões de dólares entre abril de 2012 e março de 2013 para conta não declarada no exterior de Santana e Mônica, enquanto Skornicki efetuou transferência no exterior de pelo menos 4,5 milhões de dólares entre setembro de 2013 e novembro de 2014 para os publicitários, que à época eram responsáveis pelo marketing de campanhas eleitorais do PT.

"Há um indicativo claro de que esses valores têm origem na corrupção na Petrobras", disse o procurador do MPF Carlos Fernando dos Santos Lima em entrevista à imprensa em Curitiba, onde estão concentradas as investigações da Lava Jato. "Os contratos indicam claramente uma origem ilícita."

Segundo os investigadores, parte do dinheiro recebido por Santana da Odebrecht fora do país foi utilizada para a compra de um apartamento em São Paulo por 3 milhões de dólares, que foi sequestrado pela Justiça devido à suspeita de uso de recursos ilegais.   Continuação...

 
PF em sede da construtora Odebrecht, em São Paulo
 22/2/2016 REUTERS/Rodrigo Paiva