Não há espaço para grande desvalorização cambial em 2016, diz diretor do BC

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 16:29 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, afirmou nesta segunda-feira que há menor espaço para "movimentos significativos" de depreciação cambial neste ano, mas repetiu a indicação de que a Selic será mantida no atual patamar de 14,25 por cento ao ano por um importante período.

"Ressalto que o cumprimento do regime de metas e a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento, em 2017, não contemplam reduções da taxa básica de juros", afirmou ele durante evento em São Paulo, fechado à imprensa, e cuja apresentação foi disponibilizada pelo BC em seu site.

Na semana passada, diversas autoridades do BC --incluindo o presidente, Alexandre Tombini-- vieram a público para deixar claro que, mesmo diante da forte recessão pela qual passa o país, a taxa básica de juros não seria reduzida. Essa possibilidade passou a ser cotada por parte dos agentes econômicos, e foi varrida após as diversas declarações.

"(Mesmo com) fatores contribuindo para o processo de desinflação esperado para 2016, os riscos inerentes ao comportamento recente tanto das expectativas quanto das taxas observadas de inflação e a presença de mecanismos, formais e informais, de indexação na economia brasileira, não nos permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias", acrescentou o diretor.

Lopes ressaltou que, entre outros fatores que contribuem para amenizar a inflação, estão a menor depreciação do real sobre o dólar, "sensível diminuição" das altas nos preços administrados, maior abertura do hiato do produto e ambiente externo "com tendência mais clara de menor crescimento". Só em 2015, o dólar saltou quase 50 por cento sobre o real.

Pesquisa Focus do BC, que ouve semanalmente uma centena de economistas, mostra que as expectativas de alta do IPCA neste ano é de 7,62 por cento --estourando o teto da meta de inflação-- e de 6 por cento em 2017. Para o próximo ano, o objetivo é de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O diretor repetiu ainda que os "efeitos cumulativos e defasados das ações de política monetária têm atuado para mitigar os impactos de segunda ordem sobre o processo de formação de preços".

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente e a ampla expectativa é de que a Selic não seja mexida.

Lopes defendeu ainda que o ajuste fiscal no Brasil é "crucial e imprescindível... É de suma importância recompor o colchão fiscal consumido pela implementação de políticas anticíclicas".   Continuação...