Trigo caro e queda no consumo apertam margens de moinhos brasileiros

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016 17:18 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O aumento do custo do trigo e uma redução no consumo de massas e biscoitos têm apertado as margens dos moinhos brasileiros, que em alguns casos estão negativas em meio a um cenário de alta do dólar, maior necessidade de importações do cereal, eletricidade mais cara e menor poder de compra dos consumidores domésticos.

"O cenário atual é de grande aumento nos custos dos moinhos e quase nenhum aumento nos preços das farinhas. É propício para quebrar o setor, se ele não se reinventar", disse o diretor da consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco.

Segundo ele, o prejuízo entre a produção e a comercialização de farinha comum poderia chegar, por exemplo, a 20 por cento atualmente, dependendo da unidade e da região.

A farinha comum é usada por indústrias para a produção de biscoitos e massas, produtos que são retirados mais facilmente da lista de compras dos consumidores no atual momento de inflação alta e perda do poder aquisitivo da população. As vendas desses produtos caíram mais de 50 por cento nos últimos dez meses, em função da crise econômica, citou Pacheco.

A situação também é apertada na produção de trigo para panificação, mesmo com o aumento de custos podendo ser repassado mais facilmente aos consumidores, que abrem mão do hábito de comer pão apenas em último caso.

Na semana passada, o preço do "trigo pão" subiu 0,44 por cento, ante uma retração de 1,5 por cento na farinha especial e estabilidade na farinha de panificação (dois tipos de farinha usada nas padarias).

"Existe queda de consumo, e o custo está subindo... As margens tendem as ser menores", disse à Reuters o executivo de um moinho em São Paulo.

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