Dólar sobe a cerca de R$4 após Moody's rebaixar Brasil

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 12:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava a cerca de 4 reais nesta quarta-feira após a Moody's rebaixar o Brasil em dois degraus, retirando o selo de bom pagador do país, e reagindo à queda dos preços do petróleo.

O movimento era relativamente contido, porém, já que um rebaixamento já era esperado e o mercado já havia se ajustado fortemente após o Brasil já ter perdido o grau de investimento pela Standard & Poor's e pela Fitch.

Às 12:08, o dólar avançava 0,80 por cento, a 3,9945 reais na venda, após atingir 4,0090 reais na máxima da sessão.

"O mercado esperava um corte (no rating), era questão de tempo", disse o operador da corretora Renascença Thiago Castellan Castro, ressaltando ter se surpreendido com o rebaixamento de dois degraus. "Vai demorar para recuperarmos o grau de investimento."

A Moody's era a única das três principais agências de risco que ainda classificava o Brasil como grau de investimento. Nesta manhã, a agência rebaixou a nota do país para "Ba2", ante "Baa3", citando o ambiente econômico e político desfavorável do país. A Moody's também atribuiu perspectiva negativa à nota.

Na semana passada, a S&P rebaixou o Brasil pela segunda vez em menos de seis meses, para o segundo degrau abaixo do grau de investimento, com perspectiva negativa. A Fitch classifica o país apenas um degrau abaixo do grau de investimento, também com perspectiva negativa.

O cenário externo também corroborava a alta da moeda norte-americana, com a queda dos preços do petróleo reduzindo o apetite por ativos de maior risco como aqueles denominados em reais. O movimento vinha após a Arábia Saudita descartar cortes na produção e depois do aumento dos estoques nos Estados Unidos.

"A trégua do petróleo durou pouco e os mercados estão se ajustando à ideia de que há espaço para (a commodity) cair mais", disse o operador de uma corretora internacional.

Nesta manhã, o BC promoveu mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em março, vendendo a oferta total de 11,9 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou 8,705 bilhões de dólares, ou cerca de 86 por cento do lote total, que equivale a 10,118 bilhões de dólares.

(Por Bruno Federowski)