Disputa por assento no Conselho da Petrobras ameaça hegemonia de sindicatos

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 20:17 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A disputa dos funcionários da Petrobras pela cadeira no Conselho de Administração da estatal trouxe neste ano para o segundo turno da eleição, pela primeira vez, um nome que não tem o apoio de grandes federações de petroleiros e ameaça a hegemonia dos sindicatos na representação dos trabalhadores no colegiado.

A engenheira de petróleo Betânia Coutinho teve, no primeiro turno, quase o mesmo número de votos que o técnico de segurança na Refinaria Landulpho Alves (RLAM) Deyvid Bacelar, candidato à reeleição, apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).

A eleição de Betânia, disse a própria candidata à Reuters, poderia colaborar para discussões mais técnicas no Conselho, que tem membros dos trabalhadores eleitos desde 2012. Enquanto Bacelar acusa a gestão da Petrobras de ter influenciado o resultado, o que é negado por sua oponente.

Betânia afirmou em entrevista por e-mail que quer contribuir com sua experiência de empregada de carreira na Petrobras, sendo uma alternativa apartidária para a defesa dos interesses dos empregados. Ela mostrou ser contra o atual plano de vendas de ativos da estatal, assim como seu oponente sindicalista.

"Nenhum empregado é a favor de ações que levem a desmontar a empresa. Nem nós!", exclamou Betânia, destacando que por trás de cada ativo à venda há milhares de empregados que podem ser impactados. O plano da Petrobras projeta desinvestimentos de mais de 14 bilhões de dólares em 2016, visando reduzir a maior dívida de uma petroleira no mundo.

Segundo Betânia, que se candidatou ao Conselho pela primeira vez em 2015, o equacionamento da dívida passa por vários pontos e ela acredita que seja provável algum tipo de aporte do governo. Mas, para ela, não deve ser a única solução e os funcionários têm que fazer a sua parte, buscando otimizar custos e tornar processos mais eficientes.

Betânia, funcionária da Petrobras desde 2004, recebeu 3.952 votos no primeiro turno, perdendo apenas para Bacelar, empregado da companhia desde 2006 e coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro Bahia), com 4.415 votos.

O resultado ocorreu apesar de a FUP, ligada ao PT, estar fazendo forte campanha para Bacelar, em diversos Estados, com a utilização de carros de som, panfletos e internet. Já Betânia usa o meio virtual e conta com o apoio de amigos.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no RIo de Janeiro
  REUTERS/Sergio Moraes