Ternium não está disposta a vender participação na Usiminas, diz presidente

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016 17:02 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo siderúrgico Ternium, parte da italiana Techint, considera o Brasil como um investimento de longo prazo e não está avaliando no momento se desfazer de sua participação na Usiminas, apesar da briga com a sócia japonesa Nippon Steel pelo controle da companhia brasileira.

"Nós conversamos constantemente com a Nippon Steel sobre como ajudar a empresa (Usiminas) da melhor maneira (...) O Brasil é muito importante para a Ternium e faz sentido permanecer na companhia pensando no longo prazo. Não estamos dispostos a vender nossa parte neste momento", disse o presidente da Ternium, Daniel Novegil, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.

Na semana passada, uma fonte com conhecimento direto no assunto havia afirmado à Reuters que a Nippon Steel seguia interessada em comprar a participação do grupo Techint na Usiminas se a sócia italiana na maior produtora de aços planos do Brasil eventualmente decidir sair do negócio.

A Usiminas tem vencimentos de 1,9 bilhão de reais este ano e caixa de cerca de 2 bilhões de reais. A empresa encerrou 2015 com geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) negativa em 2,318 bilhões de reais e japoneses e italianos estão travando discussões sobre a melhor forma de fortalecer as finanças da companhia.

A Nippon prefere que a Usiminas promova um aumento de capital, associado à renegociação de dívidas da siderúrgica com bancos credores, mas a Techint não quer colocar recursos na companhia brasileira enquanto o acordo de acionistas não for reformado após o racha entre os sócios ocorrido em setembro de 2014.

"No momento, nós não consideramos o aumento capital como uma opção porque existem muitas coisas que precisam ser feitas antes", afirmou Novegil durante a teleconferência nesta quarta-feira. "Existem diversas medidas que podem ser tomadas para solucionar esse problema: renegociar a dívida com os bancos; vender ativos não estratégicos; usar os 70 por cento do caixa da Musa (mineradora) que são da Usiminas; vender a Usiminas Mecânica e promover uma reestruturação financeira na companhia", acrescentou o executivo.

Na semana passada, reunião do Conselho de Administração da Usiminas terminou sem acordo sobre a injeção de capital na companhia. Uma nova reunião foi marcada para 3 de março para tratar do assunto, disseram fontes à Reuters.

"Nós acreditamos que a companhia vai sair da crise, vai se recuperar. O problema de liquidez será superado com uma boa negociação com os bancos e recuperando os 200 milhões de dólares que a Ternium tem direito na Musa", disse Novegil.

A Ternium registrou no quarto trimestre mais uma baixa contábil no investimento feito na Usiminas, de 192 milhões de dólares. No total, a companhia já fez baixas contábeis de 932 milhões de dólares relacionadas à Usiminas. A empresa informou que atualmente o valor do investimento na siderúrgica brasileira, que demitiu 1.800 funcionários entre o final de janeiro e início deste mês, é de 240 milhões de dólares.

(Por Alberto Alerigi Jr.)