Desequilíbrio entre exportação e importação em contêineres pressiona fretes, diz Maersk

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 12:27 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A relação entre o volume de cargas exportadas e importadas pelo Brasil dentro de contêineres inverteu-se com a crise econômica e o câmbio e já pressiona as margens de lucro das empresas que operam rotas marítimas no país, podendo gerar aumento de tarifas cobradas de companhias brasileiras que vendem seus produtos no exterior.

A constatação, que mostra agora o Brasil exportando mais do que importando em contêineres, é de um relatório setorial divulgado nesta quinta-feira pela Maersk Line, maior empresa global de transporte marítimo de contêineres.

"Como está faltando contêineres no Brasil, estamos tendo que trazer contêineres vazios, e isso é custo maior para as empresas. A tendência é haver um aumento no frete para a exportação", projetou o diretor de Trade da Maersk Line no Brasil, João Momesso, em entrevista à Reuters.

No primeiro trimestre de 2014, entraram no Brasil, por meio de importações, 236 mil contêineres (de 40 pés), e saíram 165 mil contêineres. No último trimestre de 2015, a situação ficou praticamente inversa: o Brasil exportou 233 mil contêineres e importou 164 mil contêineres em cargas, segundo o relatório.

Segundo executivos da Maersk, o quadro anterior, com uma maior entrada do que saída de contêineres, permitia aos armadores lucrar mais com as operações de importação, oferecendo preços subsidiados para as exportações.

Contudo, a alta do dólar frente o real e a desaceleração da economia do país reduziram as compras externas do Brasil, ao mesmo tempo que estimularam os embarques.

"A exportação continua muito forte, mas o incentivo do frete de retorno deixa de ser uma realidade. Já não compensa mais", disse Momesso à Reuters.

Neste cenário de importações pressionadas, a Maersk passou a projetar uma queda de 4 por cento na movimentação de entrada e saída de contêineres nos portos do país em 2016, ante uma previsão anterior de estabilidade para este ano.   Continuação...