Vale avalia venda de ativos essenciais; mercado desfavorável gera desconfiança

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 16:48 BRT
 

Por Marta Nogueira e Stephen Eisenhammer

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A mineradora Vale avalia a venda de ativos essenciais para reduzir a sua dívida líquida em 10 bilhões de dólares em um cenário mais desfavorável, mas a meta gera desconfiança de analistas de mercado, que consideram as projeções da empresa pouco realistas.

O presidente da mineradora, Murilo Ferreira, afirmou nesta quinta-feira, após a Vale divulgar prejuízo líquido de 33,156 bilhões de reais no quarto trimestre de 2015, que a companhia tem como alvo reduzir a dívida líquida para 15 bilhões de dólares em 18 meses, ante o valor registrado no fim de 2015, de 25 bilhões de dólares.

A meta, segundo Ferreira, conta com o desinvestimento mais agressivo e não considera um eventual aumento de capital, que "neste momento" não está em análise.

"2015 foi um ano muito desafiador, e reconhecemos que a queda mais aguda dos preços das commodities pode representar um desafio da visão de desalavancar a Vale após o S11D (mega projeto de minério de ferro no Pará)", afirmou o presidente, em teleconferência com analistas e investidores.

O S11D é o maior projeto da história da mineradora, com investimentos de mais de 14 bilhões de dólares, que deve entrar em operação no segundo semestre deste ano.

Anteriormente, a companhia não considerava a venda de ativos essenciais, como, por exemplo, de minério de ferro.

"Estamos explorando opções mais agressivas para desalavancagem, incluindo (a venda de) ativos 'core'", disse Ferreira, frisando que a empresa não tem restrições sobre quais os ativos que podem ser vendidos.

Executivos da empresa não entraram em detalhe sobre quais os ativos essenciais que podem ser vendidos, após a companhia ter registrado no último trimestre de 2015 o pior resultado desde pelo menos a privatização da empresa, em 1997, com suas contas afetadas pelos baixos preços das commodities, que levaram a companhia a realizar uma expressiva baixa contábil.   Continuação...

 
Presidente da Vale, Murilo Ferreira, durante entrevista à Reuters no Rio de Janeiro10/02/2015 REUTERS/Sergio Moraes