Governo central tem superávit primário de R$14,8 bi em janeiro, com receitas extras

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016 16:12 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O governo central --Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social-- registrou superávit primário de 14,835 bilhões de reais em janeiro, primeira vez no azul desde abril do ano passado por conta de receitas extraordinárias vindas do leilão de hidrelétricas.

Em pesquisa Reuters, a projeção de analistas era de resultado bem menor, de 9,6 bilhões de reais, conforme mediana das expectativas.

No total, a receita líquida do governo central somou 123,967 bilhões de reais em janeiro, crescimento real de 6,3 por cento sobre igual mês de 2015, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira. No mesmo período, as despesas totais subiram 3,8 por cento, a 109,132 bilhões de reais.

A dinâmica positiva veio basicamente do pagamento do bônus de outorga da concessão de 29 usinas hidrelétricas, que geraram cerca de 11 bilhões de reais aos caixas públicos no mês passado. Em janeiro de 2015, as receitas com concessões e permissões haviam somado 334,1 milhões, em dado corrigido pela inflação.

Esses recursos com a concessão das usinas, de início, estavam previstos para entrar no caixa do governo no fim do ano passado, mas houve uma readequação para que isso ocorresse apenas em 2016.

No lado dos gastos, o governo reduziu as despesas discricionárias (não obrigatórias) em 21,2 por cento e as despesas com pessoal e encargos em 3,3 por cento. Mas os benefícios previdenciários subiram 1,7 por cento e as outras despesas obrigatórias tiveram salto de 56,6 por cento, sempre na comparação com janeiro de 2015.

Neste período, o governo reduziu em quase 72 por cento os desembolsos com o Minha Casa Minha Vida, a 580,6 milhões de dólares em janeiro.

No total, o governo central conseguiu encerrar o mês fazendo economia para o pagamento de juros da dívida pública, apesar do declínio da arrecadação com impostos em meio ao cenário de forte recessão econômica e baixa confiança dos agentes econômicos.   Continuação...