PF investiga obras de ferrovias Norte-Sul e Leste-Oeste em desdobramento da Lava Jato

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 08:53 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal lançou operação nesta sexta-feira para investigar o suposto pagamento de propina por parte de empreiteiras envolvidas na construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, com desvio de ao menos 630 milhões de reais, em um desdobramento de apurações da Lava Jato, informou a polícia em comunicado.

Segundo a PF, serão cumpridos sete mandados de condução coercitiva e 44 mandados de busca nos Estados do Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Goiás, além do Distrito Federal. Os suspeitos são acusados dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

"Somente no Estado de Goiás, foi detectado um desvio da ordem de mais de 630 milhões de reais, considerando-se somente os trechos executados na construção da Ferrovia Norte-Sul", disse a Polícia Federal em comunicado.

Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em um prédio da Odebrecht no Rio de Janeiro e, em São Paulo, foram à sede da Constran e à casa de um ex-funcionário da Serveng. O ex-presidente da estatal Valec José Francisco das Neves é um dos alvos da operação, segundo a mídia.

A operação, chamada "O Recebedor", tem como base elementos colhidos em acordo de leniência e delação premiada de um dos investigados na Lava Jato, que forneceu provas contra outras empresas e pessoas que também teriam participado do esquema criminoso, de acordo com a polícia.

As investigações apontam que as empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos falsos, a um escritório de advocacia e a duas empresas de Goiás que eram utilizadas como fachada para recebimento de dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas.

"As buscas visam a recolher provas do pagamento de propina para a construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, bem como da prática de cartel e lavagem do dinheiro ilícito obtido por meio do superfaturamento de obras públicas", acrescentou a polícia.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)