Brasil tem superávit primário de R$28 bi em janeiro, melhor resultado desde fim de 2013

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 12:46 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O setor público consolidado brasileiro registrou superávit primário de 27,913 bilhões de reais em janeiro, primeiro resultado positivo desde abril passado e o melhor desde novembro de 2013, mas o cenário ainda é preocupante diante da economia em recessão.

O forte pagamento de juros feito no período, informou o Banco Central nesta sexta-feira, levou ainda o país a registrar déficit nominal acima de 10 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 12 meses, o pior da série histórica iniciada em novembro de 2002.

"O fato de o governo ter auferido superávit primário no mês de janeiro não quer dizer que isso venha a se perpetuar para o restante do ano", avaliou a economista e pesquisadora da FGV/IBRE Vilma Pinto.

"Tivemos um evento extraordinário, que foi (a receita com) concessões, mas você ainda observa uma piora no resultado da arrecadação, sendo que a gente vem de um cenário ruim em 2015. A base tributária estava muito enfraquecida e esse ano a gente está caindo em cima de uma base que ficou muito baixa", acrescentou.

A arrecadação federal em janeiro teve queda real de 6,71 por cento sobre o mesmo mês de 2015, na performance mais fraca para o mês desde 2011.

O superávit primário de janeiro foi fruto do saldo positivo de 20,899 bilhões de reais do governo central (governo federal, BC e INSS), enquanto Estados e municípios tiveram superávit de 7,976 bilhões de reais. Empresas estatais, por outro lado, registraram déficit primário no mês de 962 milhões de reais.

O resultado primário de janeiro foi influenciado pelas receitas extraordinárias de cerca de 11 bilhões de reais com a concessão de usinas hidrelétricas no fim do ano passado. Os recursos, de início, estavam previstos para entrar no caixa do governo em 2015, mas foram adiados para o mês passado.

Em outra frente, o resultado do governo central apurado pelo BC também veio melhor que o divulgado pelo Tesouro na véspera, em função da adoção de métodos diferentes para contabilizar as dívidas do governo federal com bancos e instituições públicas.   Continuação...