Samarco inicia processo para retornar a operar em Mariana, diz órgão ambiental

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016 19:58 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Samarco, uma joint venture da brasileira Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, tomou sua primeira iniciativa para retomar a operação na cidade de Mariana (MG), ao dar entrada em um pedido de licenciamento de duas cavas para receber rejeitos de minério.

A informação foi dada nesta sexta-feira pelo subsecretário de Gestão e Regularização Ambiental Integrada, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Geraldo Abreu.

A companhia está impedida de operar em Mariana desde o rompimento de uma barragem de rejeitos de minério de ferro em 5 de novembro, que deixou pelo menos 17 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o Rio Doce, que deságua no litoral do Espírito Santo.

Segundo Abreu, o pedido foi feito para que em uma eventual retomada das atividades a empresa tenha onde depositar rejeitos.

"Eles estão pedindo licenciamento dessas duas cavas e, provavelmente, depois de licenciadas, eles solicitarão a suspensão do embargo das atividades da empresa para que eles voltem a operar a lavra", afirmou Abreu à Reuters.

Juntas, as duas cavas, chamadas Germano e Alegria Sul, teriam capacidade para receber até 5 milhões de toneladas de rejeito, o suficiente para suportar o recebimento de resíduos de minério de ferro da Samarco por dois anos, explicou o subsecretário.

"São alternativas temporárias até que eles encontrem algo mais definitivo", afirmou Abreu.

A cava Germano, de onde a Samarco já extraiu minério de ferro, deverá receber resíduo arenoso, enquanto a cava Alegria Sul, onde ainda há atividade extrativa, deverá receber resíduo fino, a chamada "lama", explicou Abreu.   Continuação...

 
Destroços da escola municipal do distrito de Bento Rodrigues, que foi coberto por lama após o rompimento de barragem da Samarco em Mariana. 10 de novembro de 2015. REUTERS/Ricardo Moraes/Files