BM&FBovespa defende união com Cetip em carta aberta a acionistas

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 09:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A BM&FBovespa divulgou nesta segunda-feira carta aberta aos acionistas defendendo sua proposta de união com a Cetip na qual afirma que a operação "de forma alguma" seria um obstáculo para o surgimento de outras bolsas ou plataformas de negociação concorrentes no Brasil.

A operadora da bolsa paulista elevou em meados deste mês a proposta pela central depositária de títulos para o equivalente a 41 reais por ação. Os maiores acionistas da Cetip estão dispostos a aceitar a maior parte dos termos da oferta, disseram à Reuters três fontes familiarizadas com o tema na semana passada.

Na carta divulgada a acionistas, a BM&FBovespa elenca como vantagens de um eventual acordo a maior diversificação de receitas da companhia combinada, a oportunidade de desenvolvimento de novos negócios, assim como a geração de importantes sinergias de despesas e investimentos.

Também destaca a possibilidade de unir esforços para desenvolver serviços de suporte ao crédito bancário e maiores oportunidades para oferta de serviços de administração de garantias e de ônus e gravames, a partir da combinação das centrais depositárias.

A operadora da bolsa paulista cita ainda, do ponto de vista dos participantes dos mercados, a economia da ordem de dezenas de bilhões de reais em termos de capitais alocados para a realização de operações.

Outro argumento da bolsa é que a Cetip, em algum momento, teria que contar com a garantia de um sistema de contraparte central (CCP) para os registros de derivativos de balcão, podendo usar o da BM&FBovespa em vez de desenvolver o seu próprio ou contratar um estrangeiro, o que seria mais eficiente do ponto de vista da competitividade. Os sistemas de contraparte central são utilizados para a liquidação de contratos derivativos de balcão.

Na sua avaliação, a existência de uma única CCP "de forma alguma" seria um obstáculo para o surgimento de outras bolsas ou plataformas de negociação concorrentes no país.

"A companhia está preparada para oferecer serviços de CCP para outras plataformas de negociação de ações que vierem a se instalar no Brasil, uma vez autorizadas pelos reguladores", disse no documento.

"A consolidação das centrais depositárias da BM&FBovespa e da Cetip tampouco constituiria obstáculo ao surgimento de outras bolsas no Brasil", acrescentou.   Continuação...