Tractebel vê excesso de ativos de energia à venda no Brasil e poucos compradores

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 13:07 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Tractebel Energia, maior geradora privada do Brasil, acredita que há um excesso de ativos à venda no setor elétrico do país em um momento de elevado custo de financiamento, o que deverá reduzir a competição e eventualmente o preço de eventuais transações, afirmou o diretor financeiro, Eduardo Sattamini nesta segunda-feira, em encontro com investidores em São Paulo.

"Tem muita oferta e um número limitado de agentes que têm capacidade de absorver novos ativos. Muitos dos competidores têm o nível de endividamento elevado... Tem um número reduzido de players com recursos para investir... (O cenário) tende a apresentar mais oportunidades e ativos com preços mais convidativos", disse o executivo.

Questionado, Sattamini disse que a Tractebel tem analisado ativos que estão no mercado, como as hidrelétricas da norte-americana Duke Energy, que pretende se desfazer de suas usinas no Brasil e na América Latina para focar nos Estados Unidos, e termelétricas da Petrobras, que aposta em desinvestimentos para reduzir a dívida.

Também estão no radar da companhia eventuais novos leilões de hidrelétricas existentes, como o realizado pelo governo federal no ano passado. As usinas de Jaguara, Miranda e São Simão, da Cemig, seriam as próximas a ter a concessão ofertada nesse modelo, mas a licitação depende do fim de uma disputa jurídica entre a União e a empresa pelos ativos.

"Tem muita coisa que está acontecendo no mercado... Um excesso de oferta de ativos. A gente está atuando e vai atuar de forma cuidadosa. Não vamos tomar nenhum tipo de atitude que nos previna de depois entrar em um ativo melhor. Estamos olhando tudo", disse.

A própria Tractebel tem ativos que foram colocados à venda --são duas usinas eólicas e uma pequena hidrelétrica que somam pouco mais de 60 megawatts em capacidade instalada.

Segundo Sattamini, há interessados, mas o elevado custo de financiamento tem travado a venda até o momento.

"Se a gente vai ou não vender, acredito que vamos resolver no primeiro semestre. Só venderemos se fizer sentido", disse.   Continuação...