Casa dos Ventos diz que receita baixa trava venda de ativos da Abengoa no Brasil

quarta-feira, 2 de março de 2016 16:09 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A desenvolvedora de projetos eólicos Casa dos Ventos não descarta ficar com concessões de transmissão da espanhola Abengoa, após a empresa ter paralisado obras no Brasil por dificuldades financeiras, mas vê a baixa receita das linhas como impeditivo ao avanço das negociações, afirmou nesta quarta-feira o diretor de novos negócios da empresa, Lucas Araripe.

O executivo chegou a participar de reuniões no Ministério de Minas e Energia sobre o assunto, em meio a um movimento do governo federal em busca de investidores que possam assumir as obras e evitar atraso em projetos importantes, como linhas que escoarão a energia da hidrelétrica de Belo Monte e de parques eólicos e solares.

"O governo chamou as empresas de geração e transmissão para analisar (os ativos da Abengoa)... a gente se dispôs a fazer parte da solução. Mas se for algo pelo rito regulatório normal vai ser muito complicado... a receita anual (RAP) dos projetos não faz sentido nenhum", disse Araripe a jornalistas, em encontro promovido pelo Santander.

Ele disse que as empresas espanholas de transmissão, como a Abengoa, atuam também como fornecedoras de serviços na construção das linhas, e essa atividade é justamente a que captura a maior margem de lucro nos empreendimentos.

"A transmissão não era tão rentável (nos projetos da Abengoa), eles teriam mais retorno na construção. O governo está ciente de que vai necessitar de revisão de receita. Nenhum investidor em transmissão quis pegar (as concessões) com a receita atual, nem os chineses", disse.

Nesta semana, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, afirmou que negocia com dois investidores estrangeiros interessados em assumir as concessões da companhia espanhola.

A chinesa State Grid admitiu o interesse, mas disse que não apresentou proposta.

A Folha de S.Paulo noticiou que o segundo investidor seria a canadense Brookfield que, procurada, disse que não comentaria especulações de mercado.   Continuação...