Brasil encolhe 3,8% em 2015, pior resultado em 25 anos; investimentos despencam

quinta-feira, 3 de março de 2016 09:39 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira encolheu 3,8 por cento em 2015, o pior resultado desde 1990, com forte contração nos investimentos e na indústria, sinalizando que uma recuperação está ainda longe em meio ao cenário de desemprego e inflação elevados.

Só no quarto trimestre de 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 1,4 por cento sobre os três meses imediatamente anteriores. Sobre o quarto trimestre de 2014, a atividade despencou 5,9 por cento.

Pesquisa da Reuters apontava que a economia teria queda de 1,5 por cento entre outubro e dezembro na comparação com o trimestre anterior e de 6 por cento sobre o quarto trimestre de 2014. Para 2015, as contas indicavam recuo de 3,8 por cento

Em 2014, o PIB cresceu apenas 0,1 por cento, resultado que não foi revisado pelo IBGE.

O país vive profunda crise econômica e política, em meio ao cenário de inflação de dois dígitos, desemprego e juros elevados, que tem abalado ainda mais a confiança dos agentes econômicos e colocado desafios cada vez maiores para a presidente Dilma Rousseff, sobretudo no campo fiscal.

No quarto trimestre, o PIB encolheu em praticamente todos os indicadores, com forte destaque para os investimentos produtivos. Segundo o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixa (FBCF) despencou 4,9 por cento no trimestre passado, comparado com o terceiro trimestre. E em 2015 todo, a retração foi de 14,1 por cento.

A indústria caiu 1,4 por cento no quarto trimestre sobre o imediatamente anterior, mesma queda registrada pelos serviços. No ano, o recuo foi de 6,2 e 2,7 por cento, respectivamente.

O consumo das famílias teve queda de 1,3 por cento no trimestre passado, sobre os três meses anteriores, enquanto o consumo do governo contraiu 2,9 por cento. No ano, as quedas foram de 4,0 e 1,0 por cento, respectivamente.   Continuação...