Bovespa salta 5% com agravamento de crise política; Petrobras PN dispara 16%

quinta-feira, 3 de março de 2016 19:37 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa saltou 5 por cento nesta quinta-feira, superando os 47 mil pontos após quatro altas seguidas, com o agravamento da crise envolvendo o governo da presidente Dilma Rousseff sendo bem recebido pelos mercados financeiros.

O Ibovespa subiu 5,12 por cento, a 47.193 pontos. Foi a maior alta percentual diária desde outubro de 2009, levando o índice de referência do mercado acionário brasileiro para a máxima desde novembro do ano passado.

O volume financeiro do pregão somou 13 bilhões de reais, mais do que o dobro da média diária do ano, de 5,7 bilhões de reais.

O principal foco do dia foi uma reportagem da revista IstoÉ dizendo que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, teria feito acordo de delação premiada no âmbito da operação Lava Jato citando a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Se isso for verdade, a já desgastada governabilidade do atual governo morre de vez", disse o chefe da mesa de renda variável da corretora de um banco em São Paulo, que pediu para não ser identificado.

Operadores disseram que o movimento de alta refletiu em grande parte desmonte e cobertura de posições vendidas, principalmente em papéis com participação estatal, como Petrobras e Banco do Brasil.

No mercado financeiro, notícias potencialmente desfavoráveis para o governo tendem a repercutir positivamente, uma vez que favorecem apostas de troca no comando do país, com chance de mudança nos cenários político e econômico.

Há também expectativa entre agentes financeiros de que a sexta-feira traga nova fase da operação Lava Jato, com risco de afetar nomes ainda mais relevantes na política nacional.   Continuação...