Dólar desaba 2,5% e encosta em R$3,70 com nova fase da Lava Jato envolvendo Lula

sexta-feira, 4 de março de 2016 10:04 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar desabava 2,5 por cento frente ao real nesta sexta-feira, após a Polícia Federal lançar nova fase da operação Lava Jato que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Às 10:01, o dólar recuava 2,52 por cento, a 3,7065 reais na venda, após cair 5,03 por cento nas três sessões anteriores. A moeda norte-americana chegou a recuar 3 por cento, a 3,6876 reais, na mínima deste pregão, menor patamar intradia desde 1º de setembro de 2015 (3,6192 reais).

Se mantiver esse ritmo, o dólar fechará esta semana com a maior queda acumulada desde outubro de 2008. O dólar futuro caía cerca de 2,5 por cento.

"(A presidente Dilma Rousseff) já está muito fragilizada e com isso a oposição ganha mais força", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. "Se as manifestações do dia 13 forem grandes, a situação fica muito ruim para ela", acrescentou, referindo-se a protestos planejados a favor do impeachment da presidente.

A operação Lava Jato lançou nesta manhã nova fase da investigação tendo como alvo Lula, contra o qual foram expedidos mandados de condução coercitiva e busca e apreensões, para apurar possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro do esquema envolvendo a Petrobras.

Notícias que aumentam a pressão sobre Dilma, alvo de processo de impeachment, vêm sendo bem recebidos pelo mercado, que entende que uma troca no governo pode trazer de volta a confiança e abrir espaço para mudanças na política econômica.

E, agora tendo Lula como alvo direto, a Lava Jato poderia atrapalhar os planos do ex-presidente de concorrer nas eleições de 2018.

Ainda assim, alguns analistas ponderam que as turbulências políticas podem dificultar ainda mais a governabilidade no presente. Além disso, não é certo que a saída da presidente resultaria em um governo mais apto a promover as reformas econômicas dolorosas que muitos acreditam ser a chave para a recuperação brasileira.

"O mercado está apostando em uma retomada da confiança que pode não se concretizar. Há uma certa euforia e acho que algumas pessoas estão indo no embalo, mas tem muita água para rolar ainda", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato.   Continuação...