Dólar tem maior queda semanal desde 2008 por Lava Jato e Lula, mas BC limita perdas

sexta-feira, 4 de março de 2016 17:20 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, marcando a maior baixa semanal em mais de sete anos, com a nova fase da operação Lava Jato atingindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alimentando no mercado a percepção de que teria crescido a chance de afastamento da presidente Dilma Rousseff. Mas, com a atuação do Banco Central, a moeda norte-americana terminou o dia bem longe das mínimas.

O dólar recuou 1,09 por cento, a 3,7607 reais na venda. A moeda norte-americana caiu 3,87 por cento e chegou a 3,6550 reais na mínima deste pregão, menor patamar intradia desde 1º de setembro de 2015 (3,6192 reais).

Na semana, o dólar acumulou queda de 5,93 por cento, maior recuo semanal desde outubro de 2008. O dólar futuro recuava cerca de 1 por cento no fim da tarde.

"(A presidente Dilma Rousseff) já está muito fragilizada e com isso a oposição ganha mais força", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. "Se as manifestações do dia 13 forem grandes, a situação fica muito ruim para ela", acrescentou, referindo-se a protestos planejados a favor do impeachment da presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para depor nesta sexta-feira em nova etapa da operação Lava Jato sob suspeita de ser beneficiário de crimes envolvendo a Petrobras PETR4.SA, aproximando ainda mais a investigação do atual governo.

Notícias que aumentam a pressão sobre Dilma, alvo de processo de impeachment, vêm sendo bem recebidas pelo mercado, que entende que eventual troca no governo pode trazer de volta a confiança e abrir espaço para mudanças na política econômica. Além disso, a investigação contra Lula poderia atrapalhar os planos do ex-presidente de concorrer à eleição em 2018.

Analistas da consultoria de risco político Eurasia Group escreveram que agora a chance de Dilma não concluir seu mandato é maior do que 50 por cento. Até então, viam em 40 por cento.

Ainda assim, alguns analistas ponderam que as turbulências políticas podem dificultar ainda mais a governabilidade no presente. Além disso, não é certo que a saída da presidente abriria espaço para um governo mais apto a promover as dolorosas reformas que muitos acreditam ser a chave para a recuperação.   Continuação...

 
Notas de dólar e real em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 04/08/2003. REUTERS/Bruno Domingos