March 4, 2016 / 10:14 PM / a year ago

Bovespa salta 4% após Lava Jato envolver Lula e acumula maior ganho semanal desde 2008

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da Bovespa fechou em forte alta nesta sexta-feira e contabilizou o maior ganho semanal desde 2008, após nova fase da operação Lava Jato, focada no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, endossar apostas de troca de governo, com implicações nos cenários político e econômico.

O Ibovespa subiu 4,01 por cento, a 49.085 pontos. Na máxima o índice de referência do mercado acionário brasileiro superou os 50 mil pontos, renovando patamar máximo intradia desde agosto de 2015.

O volume financeiro foi quase três vezes maior do que a média diária, totalizando 17 bilhões de reais. Trata-se do maior giro em sessões sem vencimentos de opções ou de índice. O giro médio diário em 2016 está em 5,9 bilhões de reais.

Na semana, com alta em todos os pregões, o Ibovespa acumulou ganho de 18 por cento, maior elevação percentual desde a semana encerrada em 31 de outubro de 2008. Foi a maior sequência de altas desde outubro de 2015.

A 24ª fase da Lava Jato, lançada nesta sexta-feira, teve como alvo principal o ex-presidente Lula, sob suspeita de ser beneficiário de crimes envolvendo a Petrobras. E pela primeira vez o governo da presidente Dilma Rousseff foi citado pelo Ministério Público Federal como favorecido pelo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

"Com as investigações da Lava Jato ampliando-se consideravelmente e, provavelmente atingindo seu estágio mais crítico até o momento, o desempenho recente do Ibovespa sugere cada vez mais que tem crescido a percepção dos investidores de que também estamos chegando mais perto de algum tipo de solução para o estado atual da desordem política", disse a equipe de estratégia do BTG Pactual, liderada por Carlos Sequeira.

Operadores no mercado citaram movimento de zeragem e cobertura de posições vendidas, que se arrefeceu ao longo da sessão, reduzindo também os ganhos do Ibovespa.

Destaques

- PETROBRAS fechou com as preferenciais em alta de 9,89 por cento e as ordinárias com salto de 9,55 por cento, reagindo ao noticiário da Lava Jato, ajudadas ainda pela alta dos preços do petróleo. Petrobras PN chegou a disparar 20 por cento na máxima da sessão. Na semana, com ganho em todos os pregões, os papéis preferenciais acumularam alta 48 por cento, maior ganho semanal desde janeiro de 1994.

- BANCO DO BRASIL saltou 9,87 por cento, contagiado pelas expectativas relacionadas ao cenário político. Na semana, contabilizou elevação de 39 por cento, também maior ganho semanal desde janeiro de 1994. O movimento positivo foi visto também nos bancos privados, com BRADESCO PN avançando 10,33 por cento e ITAÚ UNIBANCO em alta de 4,88 por cento. SANTANDER BRASIL perdeu o ímpeto e fechou na contramão, em queda de 0,74 por cento.

- VALE encerrou com as preferenciais de classe A com ganho de 6,93 por cento e as ações ordinárias com alta de 5,95 por cento, na esteira do viés positivo na Bovespa e tendo como relevante suporte nova alta dos preços à vista do minério de ferro.. Vale PNA acumulou alta de 45 por cento na semana, o melhor desempenho semanal desde janeiro de 1999.

- CSN avançou 16,31 por cento, em nova sessão de alta do setor siderúrgico, na esteira das perspectivas mais favoráveis sobre demanda de aço, que tem sustentado os preços do minério de ferro. GERDAU saltou 16,09 e USIMINAS fechou com acréscimo de 7,09 por cento.

- CETIP ganhou 3,61 por cento, após a maior central de custódia e depositária de títulos e valores mobiliários da América Latina anunciar que o lucro de outubro a dezembro somou 128 milhões de reais, alta de 8,9 por cento sobre um ano antes. O papel, contudo, segue influenciado pelas expectativas sobre potencial fusão com a BM&FBovespa.

- LOCALIZA avançou 8,27 por cento, com resultado trimestral no radar, que mostrou lucro líquido de 105,9 milhões de reais no quarto trimestre para a empresa de gestão de frotas e aluguel de veículos, alta de 3,6 por cento sobre um ano antes.

- QUALICORP saltou 7,76 por cento, conforme agentes financeiros repercutiram reportagem do jornal Valor Econômico afirmando que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai restringir a venda de planos coletivos empresariais de assistência médica.

- JBS foi destaque na ponta negativa, com queda de 13,44 por cento, em linha com outras empresas exportadoras, em dia em que o dólar chegou a recuar para 3,655 reais, na mínima da sessão.

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