Dólar fecha em queda e vai abaixo de R$3,70 com petróleo, BC e cena política

quarta-feira, 9 de março de 2016 17:20 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda e voltou abaixo de 3,70 reais nesta quarta-feira, dando continuidade ao viés de baixa visto recentemente em meio à alta dos preços do petróleo, à atuação do Banco Central e ao cenário político brasileiro.

O dólar recuou 1,12 por cento, a 3,6970 reais na venda, voltando ao patamar de 20 de novembro. A moeda norte-americana atingiu 3,6842 reais na mínima da sessão e 3,7515 reais na máxima.

O dólar futuro caía cerca de 1,60 por cento, após o fechamento do mercado à vista.

"Essa trajetória de queda do dólar nos últimos dias não está dando sinais de perder força", disse o operador Glauber Romano, da corretora Intercam.

A alta dos preços do petróleo trouxe fôlego adicional ao bom humor que vem permeando os mercados domésticos nas últimas sessões. A commodity foi influenciada por expectativas de que os principais produtores do mundo podem acertar ainda neste mês o congelamento da produção.

A moeda norte-americana vem recuando firmemente desde a semana passada, conforme as investigações de corrupção no Brasil se aproximaram do governo da presidente Dilma Rousseff.

Muitos operadores acreditam que uma mudança no governo poderia ajudar a resgatar a credibilidade do país com investidores, embora alguns ressaltem que as turbulências políticas tendem a prejudicar as perspectivas econômicas no curto prazo.

A atuação do BC também ajudou a trazer alívio ao mercado de câmbio. A autoridade monetária realizou nesta tarde leilão de venda de até 2 bilhões de dólares com compromisso de recompra para reforçar que a autoridade monetária está pronta para corrigir exageros.

"O BC deixou claro que está atento. Só essa indicação já faz efeito no mercado", disse o gerente de derivativos de uma gestora de recursos nacional.

Pela manhã, o BC promoveu mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem no próximo mês, vendendo a oferta total de 9,6 mil contratos. Ao todo, a autoridade monetária já rolou 3,195 bilhões de dólares, ou cerca de 32 por cento do lote total, que equivale a 10,092 bilhões de dólares.