Votações de projeto da dívida dos Estados e contas de 2014 do governo ficam para próxima semana

quarta-feira, 9 de março de 2016 18:31 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A votação na Câmara de projeto que susta a fórmula de cálculo da dívida de Estados e municípios com a União foi transferida para a próxima semana após acordo entre líderes de bancada, que também adiaram a análise das contas de 2014 do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

O Projeto de Decreto Legislativo (PDC), que se aprovado pode gerar um impacto de 300 bilhões de reais no estoque da dívida, estava pautado para esta quarta-feira. O governo havia lançado mão de uma obstrução para evitar uma derrota caso a proposta fosse votada.

A oposição, por outro lado, trabalhava para evitar que a CMO aprovasse as contas do governo federal de 2014, o que configuraria uma notícia positiva para o Planalto, dias antes das manifestações convocadas contra presidente Dilma Rousseff, no domingo.

Após o acordo, ficou acertado que o jogo ficaria no zero a zero: o governo abriu mão de ter a notícia positiva nesta quarta, mas também evita uma derrota bilionária no plenário da Câmara.

“É um bom acordo, é uma vitória da Casa”, disse o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).

A votação do PDC, que para entrar em vigor precisa ser aprovado pela Câmara e depois pelo Senado, está marcada para a próxima terça-feira, dia seguinte à nova reunião prevista entre governadores e Executivo Federal.

Pouco antes de selar o trato com a oposição, Guimarães e outros aliados fizeram apelos para que o projeto que susta o cálculo da dívida não fosse votado.

“Faço um apelo para que nós pelo menos esperássemos a conclusão da negociação com o governo”, pediu o líder do governo, seguido do vice-líder Sílvio Costa (PtdoB-PE), para quem a aprovação da matéria “será uma péssima sinalização ao mercado”.

Outros líderes aliados se manifestaram na mesma linha e até mesmo o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder do partido do autor do projeto, Esperidião Amin (PP-SC), fez coro a Guimarães, e pediu que a votação fosse adiada para a próxima terça-feira.   Continuação...