BC vê inflação acima da meta em 2017 e sinaliza que Selic não vai cair

quinta-feira, 10 de março de 2016 10:38 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central informou que sua projeção da inflação pelo cenário de referência segue acima do centro da meta de 4,5 por cento em 2016 e em 2017, mas retirou a menção de que para o ano que vem a inflação estava "ligeiramente" superior, pavimentando o caminho para que a taxa básica de juros não seja reduzida tão cedo apesar da fraqueza na economia.

A autoridade monetária ressaltou ainda que continuam as incertezas associadas ao balanço de riscos, principalmente quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, ao comportamento da inflação corrente e das expectativas de inflação, segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira.

Na quarta-feira da semana passada, o BC manteve a Selic em 14,25 por cento ao ano, mesmo patamar desde julho de 2015, numa decisão dividida entre os membros do Copom.

Foi a terceira reunião seguida em que o colegiado se dividiu, com os diretores Sidnei Corrêa Marques (Organização do Sistema Financeiro) e Tony Volpon (Assuntos Internacionais) votando pela elevação dos juros em 0,5 ponto percentual.

Na ata, o BC ressaltou que a dinâmica dos preços administrados e o hiato do produto "mais desinflacionário que o inicialmente previsto" são fatores importantes do contexto em que decisões futuras de política monetária serão tomadas, ressaltando a importância da desaceleração da economia.

"O BC, por um lado, mostra que a atividade econômica está mais fraca, mas por outro está muito preocupado com as contas públicas. Isso sugere certa resistência para reduzir os juros e cautela para na condução da política monetária", afirmou o economista-chefe da corretora Votorantim, Roberto Padovani, para quem a Selic será reduzida somente no 4º trimestre deste ano.

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Prédio do Banco Central, em Brasília. 09/12/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino