ENTREVISTA-Governo pode atrasar reforma da Previdência por situação política, diz Rossetto

quinta-feira, 10 de março de 2016 10:01 BRT
 

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O governo vai avaliar o cenário político antes de enviar ao Congresso uma proposta de reforma da Previdência e pode optar por evitar uma pauta com potencial para aumentar a disputa no Congresso e na sociedade brasileira, disse à Reuters o ministro do Trabalho e Previdência, Miguel Rossetto.

Um dos pontos centrais da nova agenda do governo para enfrentar problemas estruturais do país, a reforma da Previdência não é um tema de consenso nem mesmo dentro do governo.

A presidente Dilma Rousseff afirmou, no início deste ano, que a intenção do Palácio do Planalto era enviar uma proposta pronta ao Congresso até abril deste ano. Rossetto admite que os prazos e conveniências podem ser reavaliados.

“Nós vamos avaliar, temos que avaliar a dinâmica política da sociedade brasileira", disse Rossetto à Reuters na noite de quarta-feira, acrescentando que houve "uma mudança forte" a partir da última sexta-feira com a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Evidentemente que isso traz um processo permanente de avaliação das pautas da agenda política do governo. Não interessa agendas de natureza tão somente conflitiva com o Congresso e a sociedade”, afirmou Rossetto ao ser perguntado se o governo iria enfrentar, em um momento de baixa popularidade, um tema que alienaria a base social que ainda lhe resta --sindicatos e movimentos sociais.

Nos últimos dias, o processo de impeachment da presidente voltou a ganhar impulso, especialmente depois de notícia com supostas informações da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS).

Com a condução coercitiva de Lula, as bases sociais do governo reagiram em defesa do ex-presidente, mas a simpatia pelo governo Dilma ainda é limitada pela antipatia ao ajuste fiscal e a mudanças que mexem no que é visto como direitos adquiridos.

Em entrevista à Reuters publicada na quarta-feira, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, havia garantido que o governo vai levar adiante a ideia de ter uma proposta para a reforma da Previdência pronta até abril. [nL1N16I0GW]   Continuação...