BCE corta juros e amplia pacote de estímulos

quinta-feira, 10 de março de 2016 11:59 BRT
 

Por Balazs Koranyi e Francesco Canepa

FRANKFURT (Reuters) - O Banco Central Europeu (BCE) buscou mais fundo no seu arsenal remanescente de opções de estímulos nesta quinta-feira, cortando todas as suas três taxas de juros e expandindo seu programa de compra de ativos para impulsionar a economia e prevenir que a inflação extremamente baixa se enraíze.

Em movimento que, inicialmente, fez o euro recuar 1 por cento frente o dólar antes de se recuperar, o BCE cortou a taxa de depósito mais fundo em território negativo, e aumentou as compras mensais de ativos para 80 bilhões de euros, ante 60 bilhões de euros anteriormente, superando as expectativas de aumento para 70 bilhões de euros.

Enquanto a taxa de depósito foi cortada em 0,1 ponto percentual a -0,4 por cento, a principal taxa de refinanciamento foi reduzida a zero de 0,05 por cento, e sua taxa de empréstimo marginal - usada pelos bancos para tomar empréstimos overnight do BCE - caiu para 0,25 por cento de 0,3 por cento.

Esperando impulsionar os empréstimos, o consumo e a inflação, o BCE disse que também vai começar a comprar títulos de dívida corporativa e lançar quatro novas rodadas de pacotes de crédito barato, estendidos à economia real pelos bancos.

Draghi, tido como responsável pela decepção do mercado em dezembro com estímulos abaixo das expectativas, disse que mais ação era necessária, já que a recuperação da zona do euro corre risco de ser afetada pela desaceleração dos mercados emergentes.

"Com o abrangente pacote de decisões de política monetária de hoje, estamos dando estímulos monetários substanciais para contrariar o aumento dos riscos ao objetivo de estabilidade dos preços do BCE", disse em coletiva de imprensa.

"O Conselho espera que as principais taxas de juros continuem no presente nível, ou menores, por um período prolongado de tempo, e bem além do horizonte de nosso programa de compras", acrescentou, prevendo que a inflação vai continuar negativa nos próximos meses e acelerar mais tarde neste ano.

Draghi disse, entretanto, que há limites para até onde os juros podem cair.