Giro financeiro na Bovespa acelera por perspectiva política e maior presença de estrangeiros

quinta-feira, 10 de março de 2016 16:31 BRT
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Após um início de ano com giro financeiro fraco, a Bovespa começou março com forte volume negociado, sustentado principalmente por investidores estrangeiros, mas também refletindo ajustes relevantes em posições de agentes locais.

Expectativas de mudanças no cenário político com implicações favoráveis nas perspectivas econômicas do país estão por trás desse movimento, que precisa de novas evidências no sentido de concretização de tais especulações para se manter.

"O aumento do volume deve persistir enquanto o noticiário político continuar alimentando as expectativas de uma mudança no governo federal", disse o chefe da mesa de renda variável da corretora de um banco estrangeiro em São Paulo.

Até o dia 9, o giro médio diário no mês estava em quase 10,8 bilhões de reais. Janeiro e fevereiro fecharam com volume médio de 5,2 bilhões e 6 bilhões de reais, respectivamente. A média em março está próxima do patamar de outubro do ano passado, quando o quadro político também ditou o tom na bolsa.

"O noticiário político e policial da semana passada parece indicar uma probabilidade maior de mudança no futuro e consequentemente quem estava 'underweight' em Brasil e ações, que era a maior parte, decidiu agir", disse o chefe da área de ações e negociação eletrônica de outra relevante corretora de um banco estrangeiro no Brasil.

"Todo mundo operou bem", disse o profissional, referindo-se a estrangeiros, agentes locais e fundos quantitativos, bem como de varejo, prevendo que volume continuará firme.

As posições compradas no fundo de índice (ETF) iShares MSCI Brazil, um dos principais termômetros sobre o apetite de estrangeiros por ações brasileiras, aumentaram cerca de 37 por cento desde o final de fevereiro, de acordo com profissionais do mercado de renda variável.

O iShares MSCI Brazil tem como lastro ações brasileiras e, conforme há interesse dos investidores, a gestora que o administra compra mais papéis no Brasil para emitir mais ETFs. Como os ETFs têm um número limitado de ações, a gestora vai criando outros fundos para atender a demanda.   Continuação...