De olho em Petrobras, regulador de ética de fundo da Noruega vê aumento de exclusão de empresas

sexta-feira, 11 de março de 2016 09:02 BRT
 

Por Joachim Dagenborg e Gwladys Fouche

OSLO (Reuters) - O regulador de ética do fundo soberano de 830 bilhões de dólares da Noruega se focará neste ano em identificar casos de corrupção em empresas de telecomunicações, armas e energia e espera recomendar que um crescente número de companhias em todos os setores seja barrada de receber investimentos.

Até o fim deste ano, o fundo que investe receitas da produção de petróleo e gás da Noruega pode adicionar as primeiras companhias à sua lista negra por emitir gás causador do efeito estufa em excesso, disse o presidente do conselho de seu painel de ética independente, Johan H. Andresen.

Cerca de 66 companhias foram, até o momento, excluídas pelo fundo por motivos de ética, e duas estão sob observação, incluindo, desde janeiro, a brasileira Petrobras, que está sob escrutínio por acusações de corrupção.

"A maioria dos casos de corrupção vem de estudos setoriais em defesa, telecomunicações e energia. Esses três (setores) parecem nos manter bastante ocupados", disse Andresen, em entrevista. "É claro que avaliaremos outras empresas, se soubermos delas."

O conselho de ética faz recomendações ao banco central sobre empresas que podem estar em desacordo com os parâmetros de ética do fundo. Ele avalia no momento 14 casos de corrupção, incluindo a Petrobras.

Baseado nas recomendações do conselho, o banco central instrui a gestão do fundo sobre a exclusão de companhias de seus investimentos.

O fundo da Noruega é o maior fundo soberano do mundo, detendo 1,3 por cento de todas as ações de companhias listadas no planeta. No fim do ano passado, ele detinha ações de 9.050 empresas globalmente.

Ele é proibido por lei de investir em empresas que produzem armas nucleares ou minas terrestres, ou que estão envolvidas em violações sistemáticas e sérias de direitos humanos, entre outros critérios éticos.