Odebrecht avalia vender participação majoritária na Braskem, dizem fontes

sexta-feira, 11 de março de 2016 13:06 BRT
 

Por Tatiana Bautzer e Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo Odebrecht está considerando vender sua participação majoritária na petroquímica Braskem, afirmaram três fontes com conhecimento direto do assunto.

A Odebrecht poderá sair da Braskem em uma transação conjunta com a Petrobras, afirmaram as fontes, que pediram condição de anonimato porque os planos ainda estão em estudo.

A Odebrecht negou em comunicado à Reuters que tenha qualquer intenção de vender a participação na Braskem. A Petrobras não respondeu a pedidos de comentários.

A Petrobras decidiu vender uma participação de 36 por cento na Braskem em janeiro e está sendo assessorada pelo Bradesco BBI, afirmaram as fontes. Desde então, pelo menos três companhias mostraram interesse na fatia: a canadense Brookfield Asset Management, a saudita Saudi Aramco e uma petroquímica chinesa não identificada, afirmaram duas das fontes.

Apesar disso, o processo de venda na Petrobras parou já que os interessados aguardam uma decisão da Odebrecht sobre a possível venda da participação de 38 por cento que possui na petroquímica brasileira. Uma venda de fatia majoritária na Braskem seria mais simples e alcançaria preço maior, afirmaram as mesmas fontes.

Com base nos preços atuais de mercado, o valor combinado da participação da Petrobras e da Odebrecht na Braskem é avaliado em 11,1 bilhões de reais, segundo dados da Thomson Reuters.

Uma precondição para a venda da participação da Petrobras é que a Odebrecht aceite o comprador como parceiro na Braskem. A indecisão da Odebrecht paralisou o processo na Petrobras, disseram duas fontes.

Apesar de não haver nenhuma companhia norte-americana interessada no negócio, alguns potenciais compradores da participação da Petrobras na Braskem em um processo de venda mais amplo poderiam estar preocupados sobre o impacto de uma associação com a Odebrecht, diante dos efeitos da operação Lava Jato e considerando a rígida legislação norte-americana.

O jornal Folha de S.Paulo publicou nesta sexta-feira que a participação da Odebrecht na Braskem está sendo vista por bancos como garantia para renegociar a dívida de cerca de 10 bilhões de reais da Odebrecht Agroindustrial.