Chefe de BC indiano propõe regras de conduta para bancos centrais no mundo

sábado, 12 de março de 2016 12:57 BRT
 

NOVA DÉLI/MUMBAI (Reuters) - O chefe do Banco Central da Índia, Raghuram Rajan, pediu neste sábado para que bancos centrais globais adotassem um sistema para avaliar o impacto mais amplo de suas ações, incluindo políticas monetárias não convencionais em uso atualmente. 

Rajan propôs que um grupo de acadêmicos deve medir e analisar os efeitos de "spillover" de políticas monetárias e indicar quais devem ser utilizadas e quais devem ser evitadas. Ele sugeriu um esquema de "semáforo", graduando políticas como verde, amarelo ou vermelho.

O sistema de monitoramento pode ser implementado através de um pacto internacional nas linhas do acordo de Bretton Woods ou via Fundo Monetário Internacional. 

O discurso de Rajan foi um dos pontos altos de um evento de três dias do FMI em Nova Déli, que teve também a presença da diretora-gerente da entidade, Christine Lagarde, e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. O foco central foi a preocupação com a economia global. 

"A comunidade internacional tem uma escolha", disse Rajan. "Podemos fingir que tudo está bem com o não-sistema financeiro global e esperar que nada dê espetacularmente errado. Ou podemos começar a construir um sistema para integrar o mundo ao século 21."

O discurso de Rajan aconteceu dias após o Banco Central Europeu ter afrouxado ainda mais sua política monetária ao cortar todas as suas taxas de juros referenciais, expandindo compras de ativos e lançando um programa de empréstimos que poderia compensar bancos por emprestarem para empresas e famílias.

O Banco do Japão também levou as taxas de juros a território negativo pela primeira vez, ao passo que o Banco Central dos EUA, o Federal Reserve, pode apertar mais sua política de juros gradualmente, após anos de taxas próximas a zero. 

Rajan tem sido um grande crítico de tais políticas, dizendo que bancos centrais que buscam mandatos focados apenas em seus países estão ignorando os impactos de suas ações na economia global. 

(Por Rajesh Kumar Singh e Rafael Nam)