Desemprego no Brasil vai a 9,0% no 4º tri, com 9 milhões de desempregados, mostra Pnad

terça-feira, 15 de março de 2016 13:40 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil chegou ao final de 2015 com 9,1 milhões de desempregados, marcando no quarto trimestre taxa de desemprego de 9 por cento e dando sequência ao movimento de deterioração no mercado de trabalho em meio ao cenário de forte recessão econômica e inflação elevada.

Os números são os maiores para um trimestre na série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012, divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No terceiro trimestre de 2015, a taxa de desemprego brasileira havia sido de 8,9 por cento, sendo que no último trimestre de 2014, de 6,5 por cento. Expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de taxa de 9,1 por cento nos três meses encerrados em dezembro.

O número de desempregados no trimestre passado, ainda segundo a Pnad Contínua, é quase 41 por cento a mais do que no mesmo período de 2014, o que significa mais 2,6 milhões de pessoas que perderam o emprego no período.

"Projetamos que o mercado de trabalho se deteriore mais, dada a expectativa de que a economia vai passar por recessão profunda", afirmou o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Ele destacou ainda que a fraqueza da confiança de consumidores e empresários e condições financeiras mais apertadas levarão a uma taxa de desemprego ainda mais alta em 2016 e à moderação do crescimento do salário real.

O setor que registrou o maior número de demissões líquidas no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2014 foi a indústria, de 1,065 milhão de pessoas, queda de 7,9 por cento.

Na média de 2015, a Pnad Contínua mostrou taxa de desemprego no Brasil de 8,5 por cento, também recorde, contra 6,8 por cento em 2014.   Continuação...

 
Mulheres sem emprego observam quadro com vagas de trabalho em Itaboraí (RJ). 31/03/2015 REUTERS/Ricardo Moraes