Dólar sobe mais de 1,5% e volta acima de R$3,70 com chance de Lula assumir ministério

terça-feira, 15 de março de 2016 10:23 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava mais de 1,5 por cento e voltava acima de 3,70 reais nesta terça-feira, reagindo ao aumento das chances de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumir um ministério e ao quadro de aversão a risco no exterior.

Operadores entendem que a volta de Lula ao governo serve como a última linha de defesa contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e pode levar a eventual mudança da política econômica no sentido de afrouxar o comprometimento com a recuperação das contas públicas.

Às 10:21, o dólar avançava 1,60 por cento, a 3,7107 reais na venda, depois de atingir 3,7360 reais na máxima da sessão, com alta de mais de 2 por cento. No pregão passado, a moeda norte-americana já havia saltado 1,71 por cento diante do cenário político.

"Se o governo der uma guinada populista agora, o país vai piorar cada vez mais rápido", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, acrescentando que a possível volta de Lula para o governo "reduz a chance de impeachment e prolonga a discussão. É a última cartada".

Lula viaja a Brasília nesta terça-feira para conversar com a presidente Dilma e fechar sua ida para a Casa Civil ou para a Secretaria de Governo. O ex-presidente estaria negociando, segundo noticiou a imprensa, mudanças na política econômica.

Lula ficaria encarregado das relações políticas, em um momento em que o PMDB, principal partido da base aliada, dá sinais de que pretende se afastar do governo, com alguns membros do partido apoiando o processo pelo impeachment de Dilma.

A perspectiva de mudança no governo agrada muitos investidores, que acreditam que o movimento pode ajudar a pavimentar o caminho para a recuperação da economia brasileira. Alguns ressaltam, porém, que o quadro de incertezas serve de entrave para o reequilíbrio econômico.

Nesta sessão, a alta do dólar frente ao real vinha também em linha com os mercados externos, onde predominava a aversão a ativos de maior risco. A queda dos preços do petróleo --reflexo de preocupações com as perspectivas para a oferta-- e a decepção com a falta de novos estímulos pelo banco central do Japão mantinham o ambiente de apreensão.   Continuação...