Dólar salta 3% e vai a R$3,76 com perspectiva de Lula assumir ministério

terça-feira, 15 de março de 2016 17:19 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta de 3 por cento nesta terça-feira, saltando mais de 10 centavos para voltar à casa de 3,76 reais, reagindo a notícias de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria aceitado se tornar ministro, o que operadores entendem que poderia postergar ou reduzir as chances de eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O dólar avançou 3,03 por cento, a 3,7630 reais na venda, a maior alta desde 13 de outubro de 2015 (3,58 por cento). A moeda norte-americana atingiu 3,7811 reais na máxima da sessão.

O dólar acumulou alta de 4,79 por cento só nesta semana, diante do novo cenário político, sendo que havia despencado 10,30 por cento neste mês até o fim da semana passada.

"Se o governo der uma guinada populista agora, o país vai piorar cada vez mais rápido", disse o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho, acrescentando que a possível volta de Lula para o governo "reduz a chance de impeachment e prolonga a discussão. É a última cartada".

Lula substituirá Ricardo Berzoini na Secretaria do Governo, mas com mais poderes, informou à Reuters uma fonte do Palácio do Planalto. O ex-presidente reúne-se, em Brasília, com Dilma para ter uma última conversa e acertar o formato do trabalho que fará no governo.

Lula ficaria encarregado das relações políticas, no momento em que o PMDB, principal partido da base aliada, dá sinais de que pretende se afastar do governo, com alguns membros do partido apoiando o processo de impeachment de Dilma.

A perspectiva de mudança no governo agrada muitos investidores, que acreditam que o movimento pode ajudar a pavimentar o caminho para a recuperação da economia brasileira. Alguns ressaltam, porém, que o quadro de incertezas serve de entrave para o reequilíbrio econômico.

O desagrado no mercado com a perspectiva de Lula voltar ao Planalto perdurou mesmo após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar a delação premiada do senador Delcídio do Amaral (MS). No documento, o ex-líder do governo no Senado acusa o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, de oferecer dinheiro e ajuda a Delcídio para que não fizesse a delação.   Continuação...

 
Notas de dólar e real em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes