Dólar sobe cerca de 1,5% e vai acima de R$3,80, com temor de mudança na política econômica

quarta-feira, 16 de março de 2016 12:13 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava cerca de 1,5 por cento e ia acima de 3,80 reais nesta quarta-feira, reagindo a temores de que o governo possa promover mudanças fortes na política econômica com a chegada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ministério, turbinados por notícias de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode deixar o cargo.

Às 12:09, o dólar avançava 1,42 por cento, a 3,8163 reais na venda, após atingir 3,8542 reais na máxima do dia. A moeda norte-americana acumulou alta de 4,79 por cento só nas duas sessões anteriores, sendo que havia despencado 10,30 por cento neste mês até o fim da semana passada.

"Isso (mudança na política econômica) é muito ruim para o Brasil. Seria uma volta à nova matriz econômica", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

Essas expectativas ganharam força nas últimas sessões conforme cresceram as especulações de que Lula iria assumir um ministério, algo que investidores também acreditam que diminuiria as chances do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE), confirmou em sua conta no Twitter que Lula assumirá a Casa Civil no lugar de Jacques Wagner. O dólar acelerou a alta com a confirmação e atingiu as máximas do dia, para em seguida perder um pouco do fôlego com realização de lucros.

A apreensão nesta sessão também veio com a notícia de que Tombini pode deixar a presidência do BC. Segundo disse uma fonte à Reuters nesta quarta-feira, isso aconteceria se o governo fizer forte mudança na política econômica, como está sendo sinalizado com a chegada Lula na Esplanada dos Ministérios.

Mais cedo, o jornal Valor Econômico publicou em seu site que Tombini estaria dando sinais de que pedirá para deixar o cargo.

"O mercado está muito volátil e guiado pelo noticiário. Não descartamos mudanças súbitas de direção (do câmbio) no caso de novos acontecimentos -- algo que não é difícil de encontrar no Brasil hoje em dia", escreveram estrategistas do banco BNP Paribas em nota a clientes.   Continuação...