Governo quer leiloar trecho da Norte-Sul em 2016; chineses e russos estão interessados

quarta-feira, 16 de março de 2016 14:02 BRT
 

Por Leonardo Goy e Alonso Soto

BRASÍLIA (Reuters) - Empresas da Rússia e China manifestaram interesse de se associar a brasileiros para disputar a concessão de trechos da ferrovia Norte-Sul, que o governo federal pretende leiloar ainda este ano, disse à Reuters o secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Ministério do Planejamento, Maurício Muniz.

O lote em questão, que interessa a russos e chineses, compreende o trecho entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), já construído pela estatal Valec, e outro, a ser construído pelo futuro concessionário, entre Açailândia (MA) e Barcarena (PA). O investimento total a ser feito pelo vencedor da concessão, incluindo a compra de trens e vagões, é de 7,8 bilhões de reais.

"Essas empresas estrangeiras são construtoras e operadoras, e querem um parceiro brasileiro, um sócio operador", declarou Muniz, apontando a RZD Russian Railways e a China Railway Group Limited (Crec) entre as empresas interessadas.

O secretário não especificou se o sócio brasileiro dos estrangeiros seria uma companhia especializada em logística ou, por exemplo, uma empresa negociadora de commodities agrícolas, que estaria entre as beneficiadas pelo projeto.

A Norte-Sul é um dos principais projetos ferroviários em construção no país e tem como principal objetivo funcionar como uma espinha dorsal do sistema, escoando a produção de grãos do Centro-Oeste em direção aos portos da região Norte.

A China, principal importadora de soja do mundo, tem interesse no escoamento de produtos agrícolas pelo Norte, onde novos portos estão ganhando importância na exportação brasileira. Já a Rússia está entre os principais destinos de carnes do Brasil, que exporta hoje tais produtos principalmente pelos portos do Sul/Sudeste.

Procurada pela Reuters, a chinesa Crec preferiu não comentar o assunto. A RZD não respondeu imediatamente.

Segundo Muniz, os estudos sobre os trechos a serem licitados estão sendo validados e devem ser colocados em audiência pública em abril. Depois disso, seguem para aprovação pelo Tribunal de Contas da União (TCU), antes da publicação do edital.   Continuação...