17 de Março de 2016 / às 14:38 / 2 anos atrás

JBS vê dificuldades ainda no 1o tri para área de bovinos

SÃO PAULO (Reuters) - A maior processadora de carne bovina do mundo, JBS, espera um início de melhora na oferta de animais para abate nos Estados Unidos apenas no segundo semestre deste ano e vê um primeiro trimestre ainda desafiador, afirmou o presidente-executivo da companhia, Wesley Batista, nesta quinta-feira.

“Estamos vendo recomposição de rebanhos nos Estados Unidos, aumentou 3 milhões de cabeças em 2015 e isso é um claro sinal de que vamos ter dias melhores, a grande discussão é quando isso vai acontecer”, disse o executivo em teleconferência com analistas do setor.

A companhia divulgou na noite da véspera que encerrou o quarto trimestre com prejuízo líquido de 275 milhões de reais, revertendo resultado positivo de 618,8 milhões obtido no mesmo período de 2014.

A divisão norte-americana da empresa, considerada por Batista como a mais “desafiadora” da JBS, apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) negativo de 25,2 milhões de dólares, ante resultado positivo um ano antes de 325 milhões.

Segundo o presidente da JBS USA, André Nogueira, apesar do crescimento previsto na oferta de bois para abate a partir da segunda metade deste ano, a JBS vê possibilidade de melhora na rentabilidade, uma vez que os preços da carne poderão avançar com maior nível de exportações no país e menores importações. “A produção adicional de bois não vai necessariamente para o mercado doméstico”, comentou o executivo.

No Brasil, a empresa suspendeu atividades de cinco unidades de processamento de bovinos no início deste mês, dando férias coletivas por 20 dias aos funcionários. Batista disse que as paradas de produção ocorreram por escassez de “matéria-prima” para manter as unidades operando com rentabilidade, mas que não tem planos de fechar instalações em definitivo no país.

As ações da JBS exibiam alta de 3,80 por cento às 11h21, enquanto o Ibovespa mostrava salto de 4,5 por cento.

Batista afirmou que a JBS deve continuar com a política de recompra de ações enquanto persistir o desconto no preço dos papéis da empresa em relação a múltiplos de seus pares e que o grupo vai buscar crescimento orgânico.

“Não tem nada mais atrativo do que (investir) no próprio equity ou dívida da companhia”, disse Batista.

O executivo comentou ainda que a JBS pretende manter sua política de hedge cambial diante de volatilidades e incertezas do mercado. “Não chamos que podemos estar expostos neste momento de incerteza”, disse Batista.

Sobre a área de alimentos processados, sob responsabilidade da JBS Foods, Batista afirmou que vê necessidade de novos reajustes de preços no Brasil após os 10 por cento aplicados pelo setor no início deste ano.

Segundo o executivo, isso ocorre por conta da alta de custos de grãos que não foi totalmente compensada pelos reajustes do início do ano. “O mercado está assistindo ao repasse de custos advindo de grãos. O mercado está se comportando da forma correta”, disse Batista, acrescentando que várias linhas de produtos da JBS Foods estão operando em plena capacidade.

“Repasse de 10 por cento não é suficiente, o impacto no custo foi bem maior, é provavel que a indústria precise do dobro disso para não perder rentabilidade”, acrescentou o executivo.

A JBS Foods tem como principal rival no Brasil a BRF, que afirmou no final de fevereiro que vai ser mais ativa na avaliação de seus preços no Brasil para proteger as margens de um cenário de inflação elevado e aumento de custos com insumos como o milho.

Já no mercado de frango, Batista comentou que espera crescimento da produção da indústria norte-americana de 2 a 3 por cento neste ano e que a unidade Pilgrim’s deverá acompanhar este ritmo. Já no Brasil, a área de frangos não tem grandes expansões de produção programadas.

Por Alberto Alerigi Jr.

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