Dólar despenca 2,29%, maior queda ante o real em quatro meses, por crise política

quinta-feira, 17 de março de 2016 17:49 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda de mais de 2 por cento, a maior em pouco mais de quatro meses e que o levou ao patamar de 3,65 reais nesta quinta-feira, com investidores apostando mais forte na eventual troca de governo após a divulgação de conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.

O dólar recuou 2,29 por cento, a 3,6533 reais na venda, maior queda diária desde 3 novembro de 2015 (2,39 por cento). A moeda norte-americana chegou a 3,6033 reais na mínima do dia.

"A probabilidade de a presidente Dilma terminar o seu mandato é mínima", escreveram analistas do corretora Guide Investimentos em relatório.

A divulgação da conversa levou à interpretação de que Dilma estaria entregando o termo de posse a Lula para protegê-lo de eventual ação da operação Lava Jato, já que sua chegada à Esplanada do Ministério o tira do alcance da primeira instância em Curitiba e lhe dá foro privilegiado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No fim da manhã, liminar de um juiz federal suspendeu a nomeação, argumentando que a nomeação coloca em risco o livre exercício do Poder Judiciário e das atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou que vai recorrer da decisão judicial.

Com isso, o dólar manteve a tendência de queda vista no fim da sessão passada, após subir com força no início da semana conforme crescia a expectativa de que Lula assumiria um ministério.

"A leitura é que Lula não vai conseguir evitar o impeachment e isso impulsiona os ativos brasileiros", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW, João Paulo de Gracia Corrêa.

Para boa parte do mercado financeiro, a troca de governo poderia resultar em maiores chances de recuperação da economia e o fim da crise política.   Continuação...

 
Nota de dólar vista em casa de câmbio no Rio de Janeiro.    24/09/2015       REUTERS/Sergio Moraes