Vale deve receber semana que vem aval para nova barragem em MG, prevê autoridade

sexta-feira, 18 de março de 2016 13:35 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A autorização provisória de operação para uma nova barragem para a mina de Brucutu, da Vale, a maior da companhia em Minas Gerais, deverá ser concedida pela Secretaria do Ambiente do Estado na próxima semana, dependendo apenas de uma conclusão do Ibama, disse à Reuters o subsecretário de Gestão e Regularização Ambiental Integrada da Semad, Geraldo Abreu.

A afirmação foi feita após representantes da Vale informarem nesta semana, em uma audiência pública, que a demora na liberação de licenciamento ambiental para alguns projetos da companhia poderia reduzir fortemente sua atividade em Minas Gerais, onde está concentrada cerca de 60 por cento da produção da maior produtora global de minério de ferro.

Um dos projetos que estariam prejudicados, segundo a Vale, seria a nova barragem de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo.

Abreu ressaltou, no entanto, que o licenciamento da nova estrutura de Brucutu segue conforme o esperado e o diálogo com a Vale tem sido constante e transparente.

"Eu sinceramente fiquei sem entender, eu acho que (essas declarações) não correspondem com as tratativas que nós temos tido com a empresa", afirmou Abreu.

Segundo ele, a Secretaria de Estado de Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) aguarda atualmente apenas um parecer oficial do Ibama de que condicionantes foram cumpridas pela empresa para que possa liberar a operação.

Na audiência pública, a Vale explicou que há 88 projetos em análise pelos órgãos licenciadores e que, no caso da não obtenção das licenças, uma das possíveis consequências seria a queda de até 50 por cento do volume de minério de ferro produzido pela Vale em Minas Gerais nos próximos três anos, passando do atual patamar de 200 milhões de tonelada/ano para 100 milhões de toneladas/ano.

Abreu admitiu que praticamente todas as licenças avaliadas estão atrasadas, mas ressaltou que isso está mais ligado a um problema estrutural do sistema do que ao rompimento da barragem da Samarco, joint venture da Vale com a BHP Billiton. De qualquer forma, o processo de licenciamento ficará mais rigoroso diante do desastre, acrescentou.   Continuação...