Lava Jato mira esquema sistemático de propinas da Odebrecht para além da Petrobras

terça-feira, 22 de março de 2016 16:44 BRT
 

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal lançou nesta terça-feira a 26ª fase da operação Lava Jato tendo como alvo a empreiteira Odebrecht, acusada de realizar pagamento sistemático de propinas por meio de um setor especializado para obter contratos em várias áreas de atuação da empresa, além do esquema envolvendo a Petrobras (PETR4.SA: Cotações).

As investigações apontaram que havia dentro da Odebrecht uma área profissionalmente organizada para pagamentos ilegais, chamada “setor de operações estruturadas", que incluía o pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos além da propina milionária paga pela empreiteira por contratos com a estatal de petróleo que é o foco principal da Lava Jato.

O esquema era utilizado pelo menos até o segundo semestre de 2015, e as investigações apontaram que o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, preso desde o ano passado e condenado em uma ação da Lava Jato sobre a Petrobras, não apenas tinha conhecimento dos pagamentos ilícitos em outras áreas, como também comandava diretamente o esquema.

A PF e o Ministério Público Federal localizaram indícios de pagamentos indevidos envolvendo diretorias da empreiteira responsáveis por obras relativas ao Canal do Sertão em Alagoas, o metrô de Porto Alegre, o aeroporto de Goiânia, o estádio do Corinthians e o projeto do Porto Maravilha no Rio de Janeiro, além de obras no exterior em países como Argentina, Portugal, Emirados Árabes Unidos e na África.

"Temos diversas diretorias envolvidas, não somente ligadas à Petrobras. Temos setores de óleo e gás, ambiental, infraestrutura, estádio de futebol, canal do sertão e diversas outras obras e áreas da Odebrecht que estão sendo investigadas hoje pelo pagamento de propina", disse a jornalistas o procurador federal Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, em entrevista coletiva.

O Porto Maravilha é o projeto de revitalização da região portuária do Rio de Janeiro em vistas dos Jogos Olímpicos de agosto, apesar de não ter relação direta com os preparativos para a Olimpíada. O estádio do Corinthians foi construído para a Copa do Mundo de 2014, ao custo de cerca de 1 bilhão de reais. A empreiteira também participou da construção de mais três arenas para o Mundial, incluindo o Maracanã.

Em nota, o Corinthians disse que "irregularidades ou desvios de conduta" serão apurados e que tomará as providências cabíveis para punir os responsáveis, "bem como diligenciar para que todos os prejuízos causados ao clube e à Arena Corinthians sejam ressarcidos".

Um dos vice-presidentes do clube, André Luiz de Oliveira, foi alvo de coerção coercitiva na operação e acabou preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo, disse a PF em São Paulo.   Continuação...

 
Sede da Odebrecht em São Paulo.    22/03/2016       REUTERS/Paulo Whitaker