Revisões técnicas da Petrobras também contribuem com baixa contábil em campos

terça-feira, 22 de março de 2016 13:14 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A expressiva baixa contábil registrada pela Petrobras em campos de petróleo em 2015 não teve apenas a contribuição dos baixos preços do petróleo, mas também contou com a revisão de expectativas de produtividade de projetos como o campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos, e de Lapa, no pré-sal de Santos.

Entretanto, as avaliações não devem impactar as projeções de produção feitas pela companhia no último plano de negócios, que foram traçadas considerando cenários mais realistas, disse nesta terça-feira a diretora de Exploração & Produção, Solange Guedes.

"Aquele plano de negócios (2015-2019) já foi feito com a nossa visão mais realista, das projeções e das entregas desses ativos (de exploração e produção). O que nós estamos apurando agora é uma questão contábil, relacionado a testes de imparidade", afirmou Solange, em teleconferência com investidores e analistas para comentar os resultados do ano passado, divulgados na véspera.

No ano passado como um todo, o prejuízo da companhia foi de 34,836 bilhões de reais, ante prejuízo de 21,587 bilhões de reais em 2014. A perda líquida foi ocasionada principalmente por "impairment" de ativos e de investimentos relacionados ao declínio dos preços do petróleo.

A Petrobras teve prejuízo líquido recorde de 36,938 bilhões de reais no quarto trimestre, diante de baixas contábeis de 47,7 bilhões de reais.

Somente as baixas em campos de produção de óleo e gás no Brasil somaram 33,7 bilhões de reais.

Papa-Terra foi o campo que mais contribuiu para a baixa contábil na área de E&P, com um total de 8,7 bilhões de reais.

Segundo Solange, além de ser impactado pelas menores projeções futuras de preços do petróleo, o projeto apresentou desempenho de poços inferior ao esperado e será redesenhado até meados de outubro deste ano.   Continuação...