Baixas da Petrobras incluem revisão de produtividade; mercado teme impacto na produção

terça-feira, 22 de março de 2016 16:30 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A expressiva baixa contábil realizada pela Petrobras em campos de petróleo em 2015 não teve apenas a contribuição dos baixos preços da commodity, mas também da revisão de expectativas de produtividade de projetos, trazendo desconfiança de analistas de mercado sobre as projeções futuras de produção.

A diretora de Exploração & Produção da petroleira, Solange Guedes, entretanto, negou nesta terça-feira postergação de prazos e frisou que as expectativas de produção do plano de negócios 2015-2019 foram traçadas em cenários realistas.

"Aquele plano de negócios (2015-2019) já foi feito com a nossa visão mais realista, das projeções e das entregas desses ativos (de exploração e produção). O que nós estamos apurando agora é uma questão contábil, relacionada a testes de imparidade", afirmou Solange, em teleconferência com investidores e analistas para comentar os resultados do ano passado, divulgados na véspera.

Em 2015, o prejuízo da companhia foi de 34,836 bilhões de reais, ante prejuízo de 21,587 bilhões de reais em 2014. A perda líquida foi ocasionada principalmente por "impairment" de ativos e de investimentos relacionados ao declínio dos preços do petróleo.

A Petrobras teve prejuízo líquido recorde de 36,938 bilhões de reais no quarto trimestre, diante de baixas contábeis de 47,7 bilhões de reais. Somente as baixas em campos de produção de óleo e gás no Brasil somaram 33,7 bilhões de reais.

Diante do grande impairment, a corretora Brasil Plural ressaltou que a pergunta agora é se a Petrobras optou por um valor "absurdamente alto" porque deve-se esperar algum impacto futuro na produção, e também questionou se a produção do pré-sal e de outros campos offshore será viável se o preço de petróleo continuar pressionado.

A diretora evitou dar números de preço de equilíbrio para os projetos do pré-sal e reiterou que a empresa iniciou neste ano uma nova rodada de renegociação de contratos.

Já o Credit Suisse destacou que o prejuízo foi uma surpresa negativa e que o impairment maior do que o esperado pode implicar expectativas de preço menores do petróleo e, eventualmente, se traduzir em cortes de investimentos (Capex) e menor produção no próximo plano de negócios.   Continuação...

 
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. 28/01/2016 REUTERS/Sergio Moraes/Files