ENFOQUE-Tradings do ABCD perdem espaço no mercado brasileiro de grãos para rivais da Ásia

quarta-feira, 23 de março de 2016 14:17 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As maiores negociadoras de grãos do mundo, Archer Daniels Midland, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus, perderam seu centenário domínio do mercado de exportações de grãos do Brasil para rivais asiáticos, mostram dados compilados pela Reuters.

Uma análise de dados de embarques aponta que tradings asiáticas, incluindo a estatal chinesa Cofco, compraram 45 por cento da soja, milho e farelo de soja exportados pelo país no ano passado. Comparativamente, a fatia das grandes companhias, um tradicional grupo conhecido pela sigla "ABCD", ficou em 37 por cento.

Isso marca uma abrupta virada frente a 2014, quando as compras pelas companhias ABCD, com sede nos Estados Unidos e na Europa, responderam por 46 por cento dos grãos exportados pelo Brasil, ante 36 por cento das empresas da Ásia.

Com populações em crescimento nas cidades da China e em outras partes da região, a Ásia tem despontado no mercado mundial de grãos, e comerciantes estabelecidos no continente, como a Wilmar International, estão ampliando sua presença global.

Os dados mostram como as empresas asiáticas têm focado a oferta do Brasil, principal país exportador de soja, desafiando gigantes do comércio global de commodities que tradicionalmente operavam como a ponte entre produtores agrícolas e consumidores.

"É o desejo que os chineses sempre tiveram, de comprar direto dos produtores. (Mas) eles queriam que os produtores entregassem a soja direto para eles", disse o diretor da consultoria Agroconsult, André Pessôa. "Eles finalmente entenderam que eles têm que fazer a originação aqui."

A presença chinesa no setor tem crescido, em parte, por meio de aquisições. A estatal Cofco comprou 51 por cento da trading de grãos holandesa Nidera e 51 por cento da Noble, com sede em Hong Kong, em abril de 2014. No ano passado, a Cofco disse que iria comprar os 49 por cento restantes da Noble Agri.

A Reuters analisou mais de uma década de dados de embarques da Willians, agência marítima brasileira.   Continuação...