BC vai manter tom de manutenção do juro básico mesmo com queda recente do dólar, avaliam economistas

quarta-feira, 23 de março de 2016 15:57 BRT
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - A recente queda do dólar em relação ao real deve levar a projeções menores de inflação nos modelos usados pelo Banco Central, mas isso não será suficiente para fazer a autoridade monetária mudar o tom em seu relatório trimestral de inflação e sinalizar que um corte de juros está próximo.

A instabilidade política que vem influenciando os mercados financeiros nas últimas semanas ainda é tida como fator de risco que poderia voltar a elevar o dólar, o que acarretaria em novas pressões para a inflação.

Diante disso, analistas consultados pelas Reuters acreditam que a cautela deve prevalecer no relatório de inflação, que será divulgado até o fim do mês, ainda sem data definida.

"Reduziu por ora um elemento de risco, mas não acho que cabe ao BC tomar esse patamar agora como aviso de que o risco inflacionário foi embora", disse a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif.

O desempenho do câmbio tem sido fortemente atrelado aos desdobramentos políticos e o dólar vem caindo conforme aumentam as chances de a presidente Dilma Rousseff ser destituída do cargo em breve.

A percepção geral no mercado é de que uma mudança de governo abriria caminho para a melhora da economia. Apenas em março, o dólar BRBY acumulou queda de 10,06 por cento até dia 22.

"Se o governo continua, o que acontece com o dólar? Não dá para afirmar nada agora... A prudência recomenda que (o BC) não saia tomando decisão com base em acontecimentos de um mês", disse o professor de economia da Insper João Luiz Mascolo.

Além das incertezas que persistem no cenário, economistas destacaram a credibilidade arranhada do BC. Em janeiro, após semanas sinalizando que poderia aumentar os juros, Tombini fez um comunicado inesperado no primeiro dia de reunião de política monetária mudando o tom para sinalizar a manutenção dos juros. [nL2N1530HJ]   Continuação...