Lula quer participar de decisões do governo e defende desonerações para retomar crescimento

segunda-feira, 28 de março de 2016 18:04 BRT
 

Por Caroline Stauffer

SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que o governo precisa fazer desonerações e adotar outras medidas para que a economia possa voltar a crescer, numa aposta no potencial do mercado interno do país.

Lula, que ainda não pode assumir a Casa Civil devido a uma batalha judicial, disse em entrevista a correspondentes estrangeiros, em São Paulo, que quer participar das decisões do governo da presidente Dilma Rousseff, mesmo que seja na condição de conselheiro.

"É preciso fazer um sinal econômico que a gente vai parar de falar em corte e vai falar em investimento", disse Lula aos correspondentes. "Aqui no Brasil, quando enfrentamos a crise com muita competência em 2008, é importante lembrar que o país cresceu", acrescentou.

"Tenho convicção que posso contribuir, e que é possível em poucos meses mudar o humor desse país", disse o ex-presidente, que defendeu a concessão de crédito para os trabalhadores e para o financiamento de obras de infraestrutura, justamente em um cenário em que o governo sofre com déficits em suas contas públicas.

Lula argumentou que o país tem capacidade de endividamento e um grande volume de reservas internacionais. Ele fez, ainda, o diagnóstico de que boa parte da base social de apoio a Dilma e ao PT foi perdida com as tentativas do governo de realizar um ajuste fiscal, o que incluiu medidas de restrição ao acesso a benefícios previdenciários.

"Mesmo assim estão nas ruas contra o golpe", disse Lula ao novamente criticar aqueles que defendem o impeachment de Dilma.

"Temos que fazer um esforço muito grande para apresentar uma proposta econômica que recupere a esperança deste povo."

Lula aproveitou o encontro com os correspondentes para, mais uma vez, defender Dilma e disparou contra os apoiadores do impeachment da presidente. "Impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é golpe", disse Lula. "É muito importante não brincar com a democracia."   Continuação...

 
Ex-presidente Lula fala com correspondentes em São Paulo
 28/3/2016 REUTERS/Paulo Whitaker