Demanda de energia em queda atinge indústria de equipamentos do setor, diz Abinee

segunda-feira, 28 de março de 2016 15:56 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O atual quadro de queda na demanda por energia no Brasil tem preocupado a indústria de equipamentos, principalmente de geração e distribuição, enquanto os fabricantes voltados à transmissão temem perdas com os problemas financeiros da espanhola Abengoa, que deixou dívidas elevadas com fornecedores, afirmou o diretor de uma associação do setor.

As indústrias voltadas a esses segmentos conhecidos como GTD somaram um faturamento de 16 bilhões de reais no Brasil em 2015, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com queda real de 4 por cento ante o ano anterior.

Segundo o diretor Newton Duarte, da área de energia da Abinee, o maior temor é das fabricantes voltadas à geração hidrelétrica, que viram ritmo muito menor de contratação dessas usinas nos últimos tempos e agora, com a recessão, praticamente perderam a esperança de que saia do papel tão cedo o mega projeto de São Luiz do Tapajós, no Pará.

"A geração hídrica está vivendo praticamente de sua carteira de projetos já contratados... primeiro que você tem tido dificuldades para aprovar licenças ambientais... e o segundo fato que leva a esse hiato de usinas é o fato de termos uma economia com queda da demanda... não há necessidade de geração", afirmou Duarte.

O diretor da Abinee listou como principais fabricantes de equipamentos hidrelétricos no país a norte-americana GE, que adquiriu a área de energia da francesa Alstom, a austríaca Andritz Hydro e a alemã Voith Hydro.

Em entrevista recente à Reuters, o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, estimou que a demanda por eletricidade só voltará a crescer timidamente em 2017, o que adiará a licitação da usina do Tapajós, que ainda não tem licença ambiental prévia.

"Agora a gente está com uma sobreoferta... é uma coisa a ser discutida com calma... é preciso solucionar as questões pendentes".

Com 6 mil megawatts em capacidade, Tapajós seria a quarta maior hidrelétrica do Brasil, atrás de Itaipu, Belo Monte e Tucuruí.   Continuação...