Dólar sobe 1% ante real com atuação do BC, antes de reunião do PMDB e Yellen

terça-feira, 29 de março de 2016 10:30 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava 1 por cento frente ao real nesta terça-feira, após o Banco Central vender a oferta praticamente integral dos swaps cambiais reversos em leilão, dando força às apostas de que estaria desconfortável com cotações baixas.

O movimento vinha antes da reunião do PMDB que vai decidir pelo rompimento com o governo e do discurso da chair do Federal Reserve, Janet Yellen, que pode trazer mais pistas sobre quando o banco central norte-americano vai voltar a elevar os juros.

Às 10:27, o dólar avançava 1,05 por cento, a 3,6637 reais na venda, após recuar 1,51 por cento na sessão passada em antecipação ao desembarque do maior partido da base aliada.

"O BC está sinalizando que quer conter a desvalorização do dólar, que vai agir quando o dólar cair demais", disse o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva, ressaltando que a fraqueza da moeda dos EUA tende a prejudicar exportadores brasileiros.

O BC vendeu 19.520 contratos de swap reverso, que equivalem a compra futura de dólares, dos 20.000 ofertados em leilão nesta sessão. Trata-se da quinta operação desse tipo neste mês, ferramenta que não era utilizada há três anos.

A autoridade monetária também não anunciou para esta sessão leilão de rolagem de swaps tradicionais, que equivalem a venda futura de dólares e que vão vencer em abril. Se não voltar a rolá-los, terá reposto de 67 por cento do lote total, correspondente a 10,092 bilhões de dólares, depois de promover sete rolagens integrais consecutivas.

Para Silva, a atuação do BC tende a limitar o ritmo da queda do dólar no curto prazo, mas o mercado deve continuar testando a disposição do BC de atuar, especialmente se o cenário político continuar favorecendo esse movimento.

Muitos operadores entendem que a saída do PMDB, acelerada na noite passada pelo pedido de demissão do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, aumenta as chances do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Essa perspectiva é vista com bons olhos por muitos investidores, mas alguns ressaltam que as turbulências políticas tendem a afetar a confiança.

O PMDB vai decidir pelo rompimento com o governo em reunião marcada para as 15:00.   Continuação...